Um tornado de grandes proporções atingiu o município de Pedro Osório, no sul do Rio Grande do Sul, na última quinta-feira (6), causando destruição em dezenas de propriedades rurais e resultando na morte de animais. De acordo com a prefeitura local, pelo menos 150 propriedades foram danificadas, com destelhamentos, quedas de muros, armazéns e galpões, além de prejuízos em maquinários agrícolas.
O prefeito Ricardo Alves classificou o evento como inédito na história da cidade. “Nunca registramos um tornado como este. A força do vento foi impressionante”, afirmou. Apesar da gravidade dos danos materiais, não houve vítimas humanas. Entre os animais, duas ovelhas morreram soterradas sob árvores caídas em uma área de bosque de eucaliptos. “Há muito mato caído no local e pode ser que existam mais animais mortos”, alertou o prefeito.
O pecuarista Rubens Brum, que já havia sofrido perdas com um tornado anterior no dia 28 de julho, viu sua propriedade ser novamente atingida. “Reconstruí o barracão que abrigava as vacas, mas ele não resistiu a este novo tornado. O telhado foi arrancado e bateu em cima de outra estrutura. Desta vez, o vento fez mais estrago”, relatou. Brum também mencionou a destruição de uma pequena casa vizinha e a paralisação da produção de leite. “Vamos perder a produção deste e dos próximos dias. A situação financeira está complicada, e o crédito com as agências financeiras ficou abalado. Está difícil continuar na atividade”, desabafou.
Segundo a Climatempo, o tornado foi gerado por nuvens muito carregadas associadas a um forte ciclone extratropical, também conhecido como “ciclone-bomba”, e a uma frente fria. Esse tipo de ciclone ganha força rapidamente, intensificando os ventos e aumentando o risco de tempestades severas.
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar) informou que a falta de energia elétrica na região tem dificultado a comunicação com os produtores. A extensionista Carine Harter explicou que, a princípio, os danos se concentram em estruturas como casas, galpões e armazéns, sem relatos iniciais de perdas em lavouras. No entanto, ela não descarta que plantações de canola possam ter sido afetadas. “Ainda é preciso avaliar, mas como as lavouras estão baixas, talvez seja possível recuperá-las”, disse.
Na sexta-feira (7), técnicos da Emater estiveram em campo para prestar assistência e registrar os estragos. A prefeitura de Pedro Osório está compilando as informações para solicitar a decretação de estado de emergência.