Abecedário de Frutas: livro infantil explora diversidade de espécies exóticas e nativas do Brasil

O Brasil é um dos países com a maior diversidade de frutas do mundo, ocupando a terceira posição entre os maiores produtores globais, com mais de 40 milhões de toneladas colhidas anualmente, segundo a Embrapa. Em escala mundial, a produção de frutas alcançou 952 milhões de toneladas em 2023. Apesar de maçã, banana e uva dominarem as prateleiras dos supermercados, a variedade de espécies cultivadas no Brasil e em outros países vai muito além do que é mais conhecido.

Essa riqueza aparece também na cultura popular. A canção “Morena Tropicana”, do pernambucano Alceu Valença, cita frutas como sapoti, juá (nativa do Brasil) e bucajá (típica do Nordeste). Os versos oferecem um pequeno vislumbre desse universo. Com a mesma proposta, o livro Abecedário de Frutas, escrito por Andreia Leal e pelo professor J.B. Donadon-Leal, com ilustrações de Cecilia Murgel, apresenta frutas pouco conhecidas em forma de poesia, convidando os leitores a explorar a diversidade.

Voltado principalmente ao público infantil, a obra reúne espécies nativas e exóticas. A Globo Rural selecionou algumas das frutas e árvores mais inusitadas do livro. Conheça suas origens e curiosidades:

Embaúba

Com formato alongado, semelhante a dedos, a embaúba mede até 20 centímetros de comprimento. De coloração amarelo-esverdeada, são aromáticas, comestíveis e servem de alimento para pássaros, morcegos e bichos-preguiça. A espécie ocorre em grande parte do Brasil, com registros nos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal, do Pará ao Rio Grande do Sul. Os frutos podem ser consumidos in natura ou usados em sucos, geleias, mousses e tortas. A planta também tem uso medicinal e é rica em fibras.

Hilocéreo (pitaia)

Apesar de não ser um fruto, o hilocéreo produz um dos mais conhecidos: a pitaia. Segundo a Embrapa, o Hylocereus é uma trepadeira do grupo dos cactos, originária da América Latina. Atualmente, a região Sudeste concentra a maior produção brasileira de pitaia, mas o cultivo se espalha por diferentes regiões, incluindo a Chapada do Apodí, nos municípios de Limoeiro do Norte e Quixeré, no Ceará.

Ingá

Destaque entre as frutas amazônicas, o ingá chama atenção pela aparência, semelhante a um cipó que envolve diversas sementes. Floresce entre setembro e dezembro e se destaca pelo aroma suave e valor nutricional. Além do consumo in natura, sua polpa pode ser usada em sucos, bolos, mousses e vitaminas. O ingá também tem uso medicinal, como no preparo de chás.

Quina

A quina é uma árvore originária da América Tropical, principalmente do norte do Brasil. Seus frutos, conhecidos como quina-do-campo ou quina-do-cerrado, têm coloração amarelo-esverdeada e formato arredondado. Segundo a Embrapa, as folhas são usadas na medicina popular para auxiliar no tratamento de infecções sanguíneas, problemas dermatológicos e dores em geral. Especialistas recomendam cautela no consumo devido ao forte princípio ativo, a quinina.

Sapoti

Além de inspirar versos de Alceu Valença, o sapoti pode ser encontrado em quase todas as regiões do Brasil, mas as condições ambientais mais favoráveis ao cultivo estão no Norte e Nordeste. De acordo com a Embrapa, o sapotizeiro já foi importante matéria-prima para a fabricação de chicletes, a partir de uma goma obtida do látex extraído do tronco. Com aparência semelhante à do kiwi, o sapoti pode ser consumido in natura ou em receitas como sucos, bolos, geleias, mousses, vitaminas e pudins. A fruta apresenta compostos bioativos com propriedades laxativas, hipoglicemiantes, sacietogênicas e antioxidantes.

Wampi

Originária do sul da China, na Ásia, a wampi é uma planta ornamental que produz um fruto cítrico bastante consumido no continente asiático. Pequeno, arredondado e na maioria das vezes amarelado, o fruto tem sabor agridoce e polpa suculenta. A espécie se adapta bem a solos tropicais, mas também se desenvolve em clima subtropical.

Xixá

Com sementes expostas envoltas por uma casca, o xixá chama atenção pela aparência peculiar. A frutificação ocorre entre maio e julho, e a espécie está presente em Minas Gerais, no Distrito Federal e no Piauí. O sabor lembra o do amendoim. Os frutos podem ser consumidos in natura ou torrados, servindo também como ingrediente em receitas como paçoca e pé de moleque.

Zimbro

O zimbro é uma árvore ou arbusto conífero, com folhas que variam entre formato de agulha e pequenas escamas aderidas aos ramos, dependendo da espécie. Em vez de frutos verdadeiros, a planta produz cones carnosos semelhantes a bagas, com coloração azulada ou marrom-avermelhada e cobertura cerosa acinzentada. As espécies de zimbro distribuem-se por todo o Hemisfério Norte. O zimbro-comum ocorre amplamente em solos rochosos dessa região, enquanto outras espécies são encontradas na América do Norte, Europa, leste da Ásia e região do Mediterrâneo.

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