O fenômeno El Niño está gerando preocupação entre produtores rurais do Sudeste brasileiro, especialmente para as culturas de café e citros. Segundo especialistas, essas lavouras estão entre as mais vulneráveis a um quadro de calor intenso e déficit hídrico projetado para a temporada 2026/27.
Eduardo Assad, pesquisador do Observatório de Bioeconomia do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV Agro, explica que, do ponto de vista fisiológico, soja e milho também enfrentam riscos, mas laranja e café são os cultivos mais sensíveis na região. “A previsão é de que ocorram ondas de calor muito fortes e baixa precipitação. Isso pode levar ao abortamento das flores de café e à perda do abastecimento hídrico da laranja”, alerta.
Por outro lado, o El Niño pode beneficiar os canaviais do Centro-Sul. Fabio Marin, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq/USP, destaca que, em anos de El Niño forte, a produção de cana-de-açúcar costuma ficar acima da média devido ao aumento e à melhor distribuição das chuvas. No entanto, o principal risco está na colheita, já que o excesso de chuva pode dificultar a entrada de máquinas no campo e atrasar o processamento da matéria-prima.
O fenômeno também altera as condições climáticas em países concorrentes do Brasil. Guilherme Palhares, analista do Santander, observa que a Índia, uma das maiores produtoras de açúcar do mundo, pode enfrentar déficit hídrico durante o período de monções, o que pode impactar a oferta global do produto.