O El Niño que começou em junho de 2026 está evoluindo rapidamente e deve atingir o pico entre novembro e janeiro de 2027, configurando-se como o fenômeno de maior intensidade desde 1950. Especialistas alertam para impactos significativos no agronegócio brasileiro, com potencial de atraso no plantio da soja e reflexos na janela de semeadura do milho segunda safra. Café e citros também podem sofrer com a floração prejudicada, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por chuvas no Sudeste.
De acordo com Marcelo Seluchi, coordenador-geral do Cemaden, o aquecimento global tem tornado o El Niño mais frequente e intenso. “Nos últimos 60 anos houve mais casos do que nos 60 anteriores, e mais intensos”, afirma. A agrometeorologista Ana Maria Heuminski de Ávila, do Cepagri/Unicamp, destaca que a velocidade de aquecimento do Pacífico elevou a expectativa de um fenômeno intenso, com a região Niño 3.4 já registrando 1,3°C acima da média.
Eduardo Assad, pesquisador do FGV Agro, lembra que episódios recentes, como os de 2015 e 2024, causaram perdas de até 10% da safra. Já Eduardo Martins, do GAAS, projeta riscos maiores para a soja, especialmente no Matopiba e Centro-Oeste, com possibilidade de 20% de perda nacional, tomando como base a safra 2015/16. No Sul do Brasil, o excesso de chuvas durante a implantação das lavouras de verão é a principal preocupação.
Para a analista de mercado, o foco atual está nos EUA, com previsões de calor excessivo que podem elevar os preços das commodities antes mesmo da definição da safra sul-americana.