JBS registra prejuízo de US$ 102 milhões no 2º trimestre, primeiro resultado negativo em quase 3 anos

A JBS, uma das maiores empresas de carnes e alimentos do mundo, reportou um prejuízo líquido de US$ 102 milhões no segundo trimestre de 2026, contrastando com o lucro de US$ 528 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado após o fechamento do mercado na segunda-feira (10/08), marca o primeiro déficit da companhia em 11 trimestres consecutivos de lucro.

De acordo com o CEO global, Gilberto Tomazoni, o prejuízo reflete fatores não recorrentes que não devem se repetir nos próximos trimestres. Entre os principais itens estão o pagamento de prêmios, juros e custos associados à recompra de um título de dívida americano e de um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA), totalizando US$ 172,1 milhões. Além disso, acordos de US$ 132,7 milhões relacionados a litígios na cadeia de frango nos Estados Unidos e a reavaliação final da produtora de ovos Mantiqueira, adquirida no ano anterior, que gerou um pagamento adicional de US$ 80,5 milhões, também pesaram no balanço. Gastos extras de US$ 39,8 milhões decorrentes do conflito no Oriente Médio completam os fatores atípicos.

Desconsiderando esses itens, o lucro líquido ajustado foi de US$ 218 milhões. O Ebitda ajustado atingiu US$ 1,257 bilhão, uma queda de 8,2% ante o mesmo período de 2025, enquanto a receita líquida alcançou um recorde trimestral de US$ 23,9 bilhões, alta de 14%.

A divisão de carne bovina da América do Norte, responsável por cerca de um terço do faturamento global, registrou receita líquida recorde de US$ 7,8 bilhões, impulsionada por preços elevados e demanda firme do consumidor norte-americano. No entanto, o aumento do preço do boi superou a valorização da carne, resultando em um Ebitda operacional negativo de US$ 100 milhões, 62,1% inferior ao do ano anterior.

A operação de frango e outros alimentos nos EUA, da Pilgrim’s Pride, também pressionou o resultado, com o Ebitda ajustado caindo 47,6%, para US$ 360 milhões, devido à ampla oferta de frango no mercado americano e à comparação com os fortes resultados de 2025.

No Brasil, a JBS Brasil registrou Ebitda ajustado de US$ 273 milhões, alta de 22,1%, enquanto a Seara apresentou queda de 5,8%, para US$ 315 milhões, mantendo a maior margem de lucro entre os negócios, de 12,3%, com exportações e vendas de itens de marca no Oriente Médio. A JBS Austrália teve Ebitda ajustado 12,8% menor, de US$ 218 milhões, afetada por chuvas que dificultaram o escoamento de animais. Já a divisão de suínos dos EUA registrou alta de 38% no Ebitda ajustado, para US$ 184 milhões.

Tomazoni afirmou que o consumo global de proteína continua crescendo, mesmo em regiões como o Oriente Médio, e que a demanda brasileira por frango para exportação segue robusta. Ele também comentou sobre a expectativa de o Brasil voltar a ser autorizado a exportar carnes para a União Europeia, destacando que, para a carne bovina, o processo será mais lento devido à necessidade de comprovar o não uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. Para o frango, o executivo acredita que uma eventual interrupção no fornecimento será breve, com uma comitiva europeia prevista para visitar o Brasil no fim de agosto.

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