O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,07% em julho, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (11/8). O leve aumento foi puxado principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou queda de 0,67% — a maior deflação desde julho de 2024.
Os destaques negativos ficaram com hortifrútis como o pepino, que teve deflação de 33,42%; o tomate, com recuo de 29,09%; e a batata-inglesa, que caiu 19,59%. A redução nos preços reflete fatores sazonais e climáticos que aumentaram a oferta no mercado.
Por que os preços caíram?
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a queda no tomate foi impulsionada pela intensificação da safra de inverno, que voltou a abastecer o mercado. As temperaturas mais baixas das últimas semanas também retardaram a maturação do fruto, dando ao produtor maior controle sobre o ritmo da colheita.
Já a batata-inglesa se beneficiou do tempo mais firme nas plantações, que permitiu um ritmo normal de colheita, conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A desvalorização não foi maior porque a demanda se aqueceu com o início do mês e a volta às aulas. Ainda assim, o tubérculo acumula alta de 45,34% nos últimos 12 meses.
O pepino, embora tenha registrado a maior baixa, tem peso pequeno na cesta do IPCA (apenas 0,006%). A queda reverte a forte alta de maio, quando o produto subiu 155,5%.
O que subiu?
As frutas foram destaque de alta: a manga valorizou 14,74%, o limão 10,59% e a melancia 7,78%. Para a manga, o Cepea aponta menor oferta, especialmente da variedade palmer, combinada com demanda aquecida. O limão sofre com a menor disponibilidade de frutas de qualidade, devido ao fim da safra principal e condições climáticas atípicas. Já a melancia teve perdas por viroses e amplitude térmica, que causaram rachaduras e aumento de descartes, segundo a Conab.
Os dados reforçam a tendência de alívio no custo dos alimentos para o consumidor, ainda que alguns itens mantenham pressão altista.
Fonte: Globo Rural, com informações do IBGE, Conab e Cepea.