O preço do café moído registrou uma queda de 17,20% nos 12 meses encerrados em julho, a maior retração anual para esse período desde o início da série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 1994, ano do Plano Real. A deflação acumulada entre julho de 2025 e julho de 2026 foi de 18,04%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do recuo significativo, os preços ainda estão distantes de compensar o salto de quase 100% (99,49%) observado entre janeiro de 2024 e junho de 2025. Naquela época, fortes secas atingiram os principais estados produtores de café do Brasil, como Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, levando a uma escalada de preços recorde.
Para efeito de comparação, enquanto o café desabou 17,20% em 12 meses, o grupo de alimentação e bebidas do IPCA subiu 3,40% no mesmo período. A deflação do café contribuiu para segurar a inflação dos alimentos, mas especialistas alertam que eventos climáticos extremos, como um novo El Niño, podem reverter esse cenário.
O alívio no bolso do consumidor, porém, ainda é parcial. A alta acumulada nos 18 meses anteriores deixou uma base elevada, e o movimento atual de queda não apaga as perdas recentes para quem compra café diariamente.