JBS prevê redução no abate de gado no Brasil com fim de cota chinesa e barreiras da UE

O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou nesta terça-feira (11/8), durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026, que o Brasil deve reduzir o abate de gado bovino neste ano. A decisão é motivada pela menor demanda de parceiros comerciais, especialmente a China, que estabeleceu uma cota anual de exportação de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil, abaixo dos quase 1,7 milhão de toneladas enviadas em 2025. Oficialmente, o país já utilizou 90% da cota, e os exportadores praticamente pararam de embarcar por receio de ultrapassar o limite e sofrer tarifa extra de 55%.

Outro entrave é a restrição imposta pela União Europeia, que excluiu o Brasil da lista de países autorizados a vender produtos de origem animal, incluindo carnes. Os europeus alegam que o Brasil não comprovou cumprir as regras de uso de antimicrobianos na produção. Para a carne bovina, o desafio é maior, pois os europeus exigem controle ao longo de toda a vida do animal. O Brasil levaria de dois a três anos para atender a exigência.

“Vemos um mercado difícil neste período, mas acreditamos que voltará a uma situação saudável nos próximos meses”, disse Tomazoni a analistas. O executivo também destacou que reduzir a alavancagem da empresa, que subiu no segundo trimestre, é prioridade. A relação dívida líquida/Ebitda ajustado atingiu 3,1 vezes, ante 2,27 vezes um ano antes.

Novo comando

Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA e futuro CEO global, reforçou o alinhamento com o trabalho de Tomazoni. “Não esperem mudanças estratégicas significativas. Trabalhamos juntos há mais de uma década. Não há JBS do Wesley Batista Filho”, afirmou.

Frango

Tomazoni também comentou sobre o mercado de frango. A Pilgrim’s Pride, nos EUA, e a Seara, no Brasil, enfrentam maior oferta. A Pilgrim’s, voltada ao mercado doméstico, sofre com mortalidade de frangos abaixo da média, o que reduziu preços. A empresa adaptou plantas para produzir cortes porcionados para consumo em casa. No Brasil, a Seara, com grande peso de exportações, prevê produção 5,6% maior em 2026, mas o crescimento desacelerará para 2,8% em 2027, segundo dados da ABPA. “A demanda por frango para exportação é alta. Historicamente, a indústria se reequilibra”, afirmou Tomazoni.

México e EUA

Batista Filho disse que a reabertura da fronteira americana para gado mexicano é “especialmente importante” para a JBS. O governo dos EUA manteve postos fechados por mais de um ano para conter a mosca-varejeira-do-novo-mundo. No fim de julho, o USDA anunciou reabertura gradual, o que pode reduzir os preços do boi e os custos dos frigoríficos. “Esperamos aumento de gado para abate, com oferta normal a partir do segundo trimestre de 2027”, disse Batista Filho. Três postos de entrada devem ser reabertos, com capacidade para mais de 1 milhão de cabeças. O gado disponível no México está mais pesado, o que pode reforçar a oferta nos EUA.

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