Colheita tardia reduz exportações de café brasileiro em julho, aponta Cecafé

O Brasil exportou 3,03 milhões de sacas de 60 kg de café em julho, volume 9,9% superior ao do mesmo mês de 2025. Contudo, a receita caiu 13,2%, para US$ 1,4 bilhão, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (11/8), o presidente da entidade, Márcio Ferreira, atribuiu o desempenho moderado ao atraso na colheita da safra e aos gargalos logísticos nos portos. “Chuvas em importantes regiões produtoras de café arábica retardaram a colheita, impactando os embarques. Além disso, a infraestrutura defasada nos principais portos continua gerando dificuldades”, afirmou.

No acumulado de janeiro a julho, o país embarcou 20,897 milhões de sacas, com faturamento de US$ 7,449 bilhões — quedas de 5,9% e 13,1%, respectivamente, ante o mesmo período de 2025.

O café arábica foi o mais exportado, com 14,987 milhões de sacas (71,7% do total), volume 16,6% inferior ao do ano passado. Já o canéfora (conilon + robusta) somou 3,387 milhões de sacas (16,2% do total), alta de 73,5%. Os cafés solúveis representaram 2,486 milhões de sacas (11,9%), e o torrado e moído, 36.456 sacas (0,2%).

Ferreira destacou que o preço médio da saca de 60 kg nos primeiros sete meses foi de US$ 356,45, 7,7% abaixo dos US$ 386,26 registrados no mesmo período de 2025, o que também contribuiu para a retração da receita.

Expectativas e destinos

Apesar do recuo no acumulado do ano, o Cecafé mantém perspectivas positivas para o fechamento de 2026. O presidente da entidade, no entanto, alerta que a recuperação não deve ser imediata. “Cafeicultores mais capitalizados tendem a negociar de forma mais cadenciada, aproveitando momentos de alta”, disse Ferreira, acrescentando que o avanço da colheita deve acelerar os embarques a partir da segunda quinzena de agosto.

Os Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro, adquiriram 2,590 milhões de sacas (12,4% do total) nos sete primeiros meses do ano — queda de 30% em relação a 2025, reflexo da política tarifária do governo Donald Trump. O Cecafé espera que a isenção de tarifas recentemente anunciada estimule as vendas ao mercado americano.

Em seguida, aparecem Alemanha (2,426 milhões de sacas, 11,6% do total), Itália (1,881 milhão), Bélgica (1,577 milhão) e Japão (1,114 milhão).

O Porto de Santos permaneceu como principal via de exportação, com 14,821 milhões de sacas (70,9% do total), seguido pelo Rio de Janeiro (5,153 milhões, 24,7%) e Paranaguá (231.951 sacas, 1,1%).

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