O feijão, um dos ingredientes mais tradicionais da mesa brasileira, teve uma alta expressiva em 2026. Enquanto o arroz apresentou leve queda de 0,94% entre janeiro e julho, o feijão-carioca, o tipo mais consumido no país, acumulou alta de 49,50% no mesmo período, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE. O feijão-preto também subiu, com 26,54%.
De acordo com Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro), a principal causa está na redução da área plantada. Em 2025, o cultivo do grão ocupou 2.693 mil hectares; na safra atual, caiu para 2.542,8 mil hectares – uma retração de 5,6%. “Estamos operando com uma redução de quase 6%. Apesar de uma ou outra questão climática, a produtividade é até maior, mas a safra projetada é ligeiramente menor”, explica.
O especialista destaca que o encolhimento da área plantada reflete os preços baixos pagos na safra passada, que desestimularam os produtores. “O feijão tem um dos ciclos mais curtos entre os grãos, mas a margem apertada levou muitos agricultores a optar por culturas mais lucrativas”, completa. A combinação de oferta reduzida e demanda estável pressionou os preços ao consumidor.
O cenário de alta deve se manter enquanto não houver estímulo para o aumento do plantio. A expectativa do mercado é de que os preços atuais incentivem novos cultivos nas próximas safras, mas ainda não há garantias de alívio imediato para o bolso do consumidor.