Bioenergia impulsiona demanda por grãos no Brasil em meio a incertezas com a China

Enquanto a China sinaliza uma possível redução nas importações de grãos, o setor de biocombustíveis surge como um novo motor de demanda para soja e milho no Brasil. O tema foi destaque no 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), realizado em São Paulo.

Para João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos, os biocombustíveis são estratégicos para todo o agronegócio. “A cadeia de biocombustíveis é extremamente estratégica para todos os atores do agro. Começando, obviamente, pelo agricultor, porque hoje grande parte da sustentação de preço vem justamente por essa demanda que o biocombustível está gerando, aumentando e sustentando”, afirmou.

A soja fornece óleo para a produção de biodiesel, enquanto o milho é matéria-prima para o etanol. A cana-de-açúcar continua sendo a principal referência, mas a expansão do etanol de milho criou rapidamente uma nova cadeia no país. A 3tentos processa atualmente 2.800 toneladas de milho por dia, gerando 1,2 milhão de litros de etanol, além de 10.800 toneladas de soja e canola para produzir 3 milhões de litros de biodiesel diariamente.

Janaina Lemes, líder em biocombustíveis na Caramuru Alimentos, destacou que a bioenergia deixou de ser apenas uma questão de combustíveis para integrar alimentos e toda a cadeia agroindustrial. “Precisamos de previsibilidade através de políticas públicas para ter novas rotas”, disse, citando culturas alternativas como macaúba e sorgo.

A expansão da bioenergia também pode fomentar investimentos e criar demanda interna, reduzindo a dependência das exportações de commodities. O debate no congresso reforçou a importância de políticas estáveis para garantir o crescimento do setor.

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