Em um cenário de margens apertadas entre os produtores rurais e restrição nos investimentos nas fazendas, a Kepler Weber, maior companhia de equipamentos para armazenagem da América Latina, registrou lucro líquido de R$ 6,3 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 55% em relação ao mesmo período do ano passado.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recuou 31,7% no período, para R$ 25,9 milhões. A receita líquida caiu 3,9%, para R$ 299,1 milhões. A pressão sobre o desempenho também veio do nível de preço dos produtos, segundo a empresa.
“Estamos com um desafio que vem desde o ano de 2024. Tivemos o resultado caindo devido à situação mercadológica e macroeconômica do setor. Temos um único ponto de desafio na companhia que é a questão preço”, afirmou Renato Arroyo, diretor financeiro e de relações com investidores da Kepler. “Temos conseguido redução em termos de custo, mas a pressão mercadológica vinda das fazendas faz com que a gente perca no lucro bruto”, acrescentou.
A categoria fazendas, a mais representativa para o faturamento da empresa, teve redução de 13,2% na receita do segundo trimestre, para R$ 83,1 milhões. Em contrapartida, a categoria agroindústria foi o destaque positivo, com receita crescendo 17,9% para R$ 126,5 milhões.
O CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, observou que a demanda dos produtores rurais continua existindo, mas a rentabilidade limita o fechamento de negócios. Diante do cenário para preço das commodities, custos com insumos e taxas de juros, não há perspectiva de mudança para as condições dos agricultores. “Vemos um 2027 tão desafiador quanto 2026”, afirmou.
No entanto, conforme Nogueira, à medida que este ciclo de maior adversidade se encerre, a tendência é que o agricultor volte a investir. Segundo ele, apenas 14% das estruturas de armazenagem do agro brasileiro estão dentro das fazendas, contra 60% nos EUA e 40% na Argentina. “Com o tempo, o agricultor vai investir em coisas que agregam valor e reduzem risco, e, sem dúvida, são armazenagem e irrigação”, argumentou.
Enquanto isso, a demanda vinda do segmento de agroindústria cresce, impulsionada pela armazenagem de grãos usados na produção de biocombustíveis. Outro segmento que ajudou os resultados foi o de reposição e serviços, com receita de R$ 65,6 milhões no trimestre, alta de 5%.
O diretor financeiro destacou que, apesar das adversidades, os planos de Capex, a geração de caixa livre e a inadimplência permanecem em níveis controlados, próxima de 1%. “A gente não consegue passar imune a esse momento do mercado, mas consegue passar muito melhor do que outras companhias”, disse Arroyo.