Produtores reduzem uso de fertilizantes na safra 2026/27 devido a custos e tensões geopolíticas

O diretor-técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Maciel Silva, afirmou que a importação e o uso de fertilizantes fosfatados na safra 2026/27 podem cair entre 20% e 25%. O motivo são os custos elevados e as margens apertadas no campo, agravados pela guerra no Oriente Médio, que expôs a dependência brasileira de insumos importados.

Segundo Silva, a distribuição de fosfatados, que normalmente atinge pico entre abril e agosto, deve sofrer deslocamento e redução de volume. “Vai ter volume menor, de 20% a 25% do que ocorreu em 2025”, disse durante o Fórum Mais Milho, organizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília.

Já os fertilizantes nitrogenados apresentam recuperação no ritmo de comercialização graças ao arrefecimento recente dos preços. Silva destacou ainda a mudança na dinâmica do mercado mundial, com a retração de China e Rússia e o surgimento do Turcomenistão como quinto maior fornecedor de fosfatados para o Brasil.

O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo, manifestou preocupação com a redução do pacote tecnológico dos produtores. “Uma eventual redução do pacote tecnológico, sem reserva no solo que possa dar suporte a condição climática adversa, pode ser ainda pior”, afirmou. Ele também destacou o esforço para reduzir os juros do custeio no Plano Safra, que resultou no sacrifício de R$ 6 bilhões em programas de investimento para cortar 0,5 ponto percentual na taxa de custeio.

Lucas Costa Beber, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), alertou para a queda no preço do milho: a cotação média passou de R$ 77 em 2022 para R$ 52 atualmente, e em Mato Grosso o valor está em R$ 43 por saca, praticamente gerando prejuízo. O custo de produção estimado para a safra 2026/27 subiu para R$ 7,3 mil por hectare, acima dos R$ 6,7 mil da temporada anterior.

Para Maciel Silva, a safra 2026/27 será marcada pela redução no uso de fertilizantes. “Alguns produtores vão tirar o pé, não tem outra alternativa. Não por não encontrar para comprar, mas com o custo, o potencial climático e o estreitamento de margem, a decisão pode ser sábia para tentar fechar as contas”, concluiu.

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