A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lançou na Bahia o Rally Forrageiras, expedição que percorrerá dez estados do Nordeste e Norte de Minas Gerais entre agosto e novembro de 2026. O objetivo é difundir tecnologias que minimizem os impactos das estiagens sobre a pecuária, aumentando a produtividade e a segurança alimentar dos rebanhos.
O presidente da CNA, João Martins, comandou o evento em Baixa Grande (BA) e destacou a importância de preparar o produtor para enfrentar secas severas. “O que nos interessa é preparar o produtor para caso uma grande seca aconteça. Tivemos a ideia dentro da CNA e começamos a bolar experimentos com forrageiras e outros alimentos para que o Semiárido pudesse ter uma pecuária sustentável”, afirmou.
Cerca de mil produtores rurais participaram do lançamento e conheceram os resultados de dez anos de pesquisas do projeto “Forrageiras para o Semiárido”. Foram apresentadas recomendações como a criação de reserva estratégica de alimentos, utilizando plantas como gramíneas, palmas forrageiras e leguminosas arbóreas adaptadas ao clima regional.
O projeto, iniciado em 2017, envolve CNA, Instituto CNA, Senar, federações estaduais e Embrapa. O rally marca uma nova fase focada na transferência de tecnologia e na adoção prática das soluções pelos produtores. As Unidades de Referência Tecnológica (URTs) instaladas em propriedades rurais permitem avaliar o desempenho das espécies em condições reais.
Em Baixa Grande, por exemplo, os capins Piatã, Massai e Paiaguás se destacaram em produtividade, enquanto o Buffel Aridus mostrou maior resiliência. O produtor José Américo, que cedeu sua fazenda para as pesquisas, já aplica os resultados: “A gente já vem usufruindo antes mesmo da difusão oficial. O produtor precisa sair do modelo tradicional e investir em reserva alimentar estratégica”.
A coordenadora do projeto, Alenilda Carvalho, informou que mais de dez mil pessoas participaram das atividades, com 27 URTs e 30 espécies analisadas. Os animais apresentaram ganho médio diário superior a 600 g/dia, superando as expectativas iniciais.
Com a previsão de um super El Niño e secas intensas, a iniciativa busca ampliar as opções forrageiras e garantir que o rebanho se mantenha saudável mesmo em condições extremas. “A pesquisa é constante. Há dez anos não se falava em super El Niño. Agora temos que continuar investindo para ampliar as opções aos produtores”, concluiu João Martins.