O fechamento de duas plantas nos Estados Unidos e a oferta de venda de uma terceira anunciada pela Tyson Foods na noite de quinta-feira (13/8) deve ter efeito positivo para as margens de lucro de empresas de carne bovina do mercado americano, na avaliação do CEO da National Beef, empresa controlada pela brasileira MBRF, Tim Klein.
“Certamente o anúncio de fechamento (das plantas da Tyson) vai impactar a capacidade da indústria imediatamente”, disse Klein a analistas, nesta sexta-feira (14/8), durante teleconferência sobre os resultados da MBRF – resultante da fusão da Marfrig com a BRF – no segundo trimestre de 2026.
O cenário pecuário observado nos últimos anos nos Estados Unidos, marcado por escassez aguda de gado pronto para abate, preços do boi em alta e capacidade industrial ociosa reduzindo margens de lucro da indústria, é similar a outros ciclos pecuários vividos pelo executivo, disse ele. “Já passei por quatro ciclos destes”, afirmou Klein a analistas.
Historicamente, tais condições de mercado levaram frigoríficos a fecharem plantas de processamento menos eficientes, temporária ou definitivamente, disse ele, o que contribuiu para reequilibrar a capacidade de processamento com a oferta de gado do momento. “Entre 10% e 12% da capacidade de processamento foi retirada da indústria [americana] nos últimos dois anos, isso melhorou o balanço de oferta e demanda”, destacou Klein.
Segundo comunicado da Tyson, a companhia fechará a planta de processamento de carne bovina de Joslin, no estado americano de Illinois, e a de carne embalada em Eagle Mountain, em Utah, além de ter colocado à venda outra unidade de processamento de carne bovina em Pasco, em Washington. A empresa disse que vai redirecionar as operações para outras fábricas, conforme as condições de mercado.
Pelos cálculos do Citi, somadas as capacidades de plantas fechadas anteriormente pela JBS e a própria Tyson, a racionalização da capacidade produtiva no país chegaria a 16,5% do total se a planta de Pasco for fechada.
Apesar dos custos crescentes de produção nos EUA, que superam as altas de preços de carne bovina, a National tem conseguido manter as operações no azul. Isso se deve em boa medida aos investimentos de mais de US$ 1 bilhão feitos pela empresa desde 2020, quando o ciclo do gado nos Estados Unidos estava em outra etapa e a companhia tinha folga de recursos. Os recursos, disse ele, contribuíram para melhorar eficiência e capacidade de produzir itens de maior valor agregado. “Estes investimentos nos permitiram navegar o atual ciclo do gado de forma mais efetiva”, afirmou o executivo a analistas.
Mesmo com a alta de 16% nos preços médios do gado no país entre o segundo trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, a National Beef ainda conseguiu gerar lucro de US$ 26 milhões no segundo trimestre, 1,7% maior do que um ano antes, com margem Ebitda (relação entre o Ebitda e a receita líquida) de 0,7%.
A gradual reabertura da fronteira americana para o gado proveniente do México, a fim de ser abatido nos Estados Unidos, também deve trazer algum alívio à oferta de gado no país, mas só na segunda metade de 2027, estima Klein. Isso porque o gado mexicano costuma chegar aos EUA mais magro e precisa passar um tempo no pasto antes de seguir para confinamentos, disse o executivo. Ainda assim, a notícia traz uma perspectiva positiva futura para a pecuária americana. “Quando olhamos para a dinâmica atual e alguns dos eventos que ocorreram no setor, realmente acreditamos que o pior do ciclo pecuário dos EUA ficou para trás”, afirmou Tim a analistas.