A Jalles Machado encerrou o primeiro trimestre da safra 2026/27 com um prejuízo líquido de R$ 74,1 milhões, valor cinco vezes superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. O resultado foi impactado pelos baixos preços do açúcar e do etanol, além da estratégia da companhia de reduzir as vendas do biocombustível para aguardar momentos de preços mais favoráveis.
A receita líquida recuou 32,6%, totalizando R$ 340,4 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 2,8%, para R$ 269,4 milhões. Apesar do aumento no volume de cana-de-açúcar processado — alta de 10,1%, para 3,129 milhões de toneladas —, o volume de produtos vendidos apresentou queda.
Os canaviais da companhia passam pela primeira safra de recuperação de produtividade após a forte quebra registrada na safra anterior. Segundo a empresa, esse ritmo deve reduzir sua exposição a eventuais adversidades climáticas, como o fenômeno El Niño, que historicamente pode limitar o número de dias efetivos de operação no segundo semestre.
Otávio Lage de Siqueira Filho, diretor-presidente da Jalles, destacou que os resultados operacionais do início da safra refletem a recuperação da produtividade agrícola, a disciplina operacional e os investimentos realizados nos últimos anos.
Vendas em queda
Embora a moagem tenha gerado maior volume de produção de etanol, as vendas caíram 5,9% na comparação anual, somando 72,3 milhões de litros. A empresa informou que prioriza a formação de estoques para comercialização durante a entressafra, período historicamente marcado por condições de mercado mais favoráveis.
Já o volume de vendas de açúcar recuou 30,6%, para 63,2 mil toneladas, reflexo da menor produção e de uma forte base de comparação com o primeiro trimestre de 2025/26, quando a Jalles realizou um embarque expressivo de açúcar orgânico. A companhia ressaltou um resultado positivo de R$ 112,2 milhões com a liquidação de operações de hedge de açúcar e câmbio no trimestre, garantindo preços acima dos praticados no mercado internacional.
Rodrigo Penna de Siqueira, diretor financeiro da Jalles, afirmou que, em um ambiente de preços pressionados, a empresa manteve disciplina na execução da estratégia comercial, ampliando os estoques de etanol para capturar melhores oportunidades ao longo da safra. A política de hedge também assegurou preços significativamente superiores aos atuais para parte relevante da produção de açúcar.
Custos baixos e dívida sob controle
O aumento da moagem permitiu maior diluição dos custos fixos, resultando em uma redução de 10,8% no custo do produto vendido (CPV) caixa, para R$ 463,7 milhões. Paralelamente, a companhia reduziu seus investimentos após concluir o ciclo de expansão, marcado pelo avanço da área plantada na safra passada. O capex total, incluindo tratos, caiu 9,3% no trimestre, para R$ 235,8 milhões.
A Jalles encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 1,891 bilhão, aumento de 2,3% na comparação anual, representando 1,6 vez o Ebitda em 12 meses (ante 1,3 vez um ano antes). O caixa ao fim do período somava R$ 1,64 bilhão, suficiente para cobrir todos os vencimentos até a safra 2029/30.