Para muitos, uma fazenda antiga é apenas uma construção envelhecida e abandonada. Mas para Paulo Victor Figueiredo Alves, de Sumidouro (RJ), cada parede, janela e detalhe arquitetônico conta uma história que merece ser preservada. Há quase oito anos, ele viaja por todas as regiões do Brasil em busca de propriedades rurais históricas e das memórias que elas carregam. Até agora, já catalogou mais de 800 fazendas.
O interesse começou na infância, influenciado pelo avô, Paulo Teixeira, também apaixonado por casarões e engenhos. Aos sete anos, Paulo Victor fez sua primeira visita a uma fazenda; aos 12, conheceu todas as propriedades da família, registrando tudo em fotos e vídeos. “Meu avô nasceu na Fazenda Conceição e me contou tudo sobre ela. Isso aumentou minha paixão por esses lugares”, conta.
Além de manter o site “Fazendas Antigas” e redes sociais com milhares de acessos mensais, ele escreveu dois livros e prepara um terceiro para outubro. A catalogação inclui nome, localização, história, ano de fundação, relatos orais, lendas, fotos e vídeos. Cada propriedade é única: “Nunca encontrei duas iguais. Às vezes surge um detalhe especial, como uma pintura escondida ou uma capela antiga”.
O hobby virou profissão. Junto com a esposa Tatiane, organiza excursões a fazendas selecionadas, com autorização dos proprietários. “As pessoas querem vivenciar as histórias de perto”, diz. A família também administra o hotel na Fazenda São Lourenço, em Sumidouro (RJ), construída em 1830, onde os hóspedes desfrutam de visitas guiadas, jantares históricos e hospedagem.
Entre os lugares visitados está o Castelo Garcia D’Ávila, na Bahia, de 1551, considerado a primeira edificação fortificada medieval das Américas, e o Engenho Freguesia, de 1590. Para Paulo Victor, preservar essas memórias é uma missão que mantém viva a história rural do Brasil.