Controle sustentável da cochonilha ortézia em citros: métodos biológicos e culturais

A cochonilha Orthezia praelonga, conhecida popularmente como ortézia, é uma praga que causa sérios prejuízos em pomares cítricos no Brasil. Ao sugar a seiva das plantas, o inseto libera excreções açucaradas que favorecem o desenvolvimento de fungos como o Capnodium, responsável pela fumagina. Essa camada escura prejudica a fotossíntese e a respiração das árvores, comprometendo a produção de laranjas, limões e outras frutas.

O agricultor Paulo, de Roraima, enviou uma consulta à redação da Globo Rural sobre como eliminar a “praga branca” que atacava seus pés de limão e laranja. A resposta técnica, elaborada por pesquisadores da Pesagro-Rio, aponta que o controle da ortézia pode ser feito com baixo impacto ambiental, combinando práticas culturais, agentes biológicos e aplicações de óleo mineral.

Métodos de controle recomendados

Controle biológico

Uma das alternativas mais modernas é o uso de fungos entomopatogênicos, que infectam e matam a cochonilha sem prejudicar o ecossistema. Esses microrganismos são comercializados como bioinseticidas e devem ser aplicados conforme as instruções do fabricante.

Práticas culturais

  • Podas de limpeza: remova ramos secos, doentes ou muito sombreados para melhorar a circulação de ar e a entrada de luz, dificultando a proliferação da praga.
  • Eliminação de focos: corte e descarte partes da planta com alta infestação para evitar que a cochonilha se espalhe.
  • Manejo da vegetação espontânea: controle plantas hospedeiras alternativas próximas ao pomar, que podem servir de abrigo para o inseto.

Óleo mineral

O óleo mineral, em baixa concentração (entre 0,5% e 1%, ou de 100 a 200 ml para cada 20 litros de água), forma uma película que dificulta a respiração dos insetos. Recomenda-se três pulverizações em intervalos quinzenais. A aplicação deve ser feita com cuidado para não queimar as folhas, especialmente em dias muito quentes.

Os consultores Carlos David Ide, Julio Cesar da Silva Monteiro de Barros e Regina Célia Alves Celestino, pesquisadores da Pesagro-Rio, alertam que o ciclo de vida da ortézia varia com a temperatura e a umidade, sendo mais intenso em regiões quentes e úmidas. Por isso, o monitoramento constante é essencial.

Com essas medidas, é possível controlar a praga de forma eficiente e sustentável, protegendo a produtividade dos citros sem agredir o meio ambiente.

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