Lei antidesmatamento da UE pode encarecer chocolate e prejudicar exportações de cacau africano

A iminente entrada em vigor da lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR), prevista para o fim de dezembro de 2026, ameaça as exportações de cacau da África Ocidental e deve elevar os custos para os fabricantes de chocolate. A legislação exige que importadores comprovem que as matérias-primas não foram produzidas em áreas desmatadas recentemente, além de rastrear toda a cadeia de suprimentos.

Países como Nigéria, Costa do Marfim – maior produtor mundial de cacau – e Gana estão no centro das preocupações. Nessas nações, centenas de milhares de pequenos produtores vivem em regiões remotas, o que dificulta o cumprimento das novas exigências e pode comprometer as exportações para o bloco europeu.

De acordo com dados do Banco Mundial, da UE e da ONU, a África Ocidental responde por cerca de 70% da produção global de cacau e envia aproximadamente dois terços desse volume para a União Europeia. “Existe uma possibilidade concreta de que, nos primeiros dias da lei, os importadores da UE não consigam obter cacau suficiente em conformidade com as regras de embarcadores indiretos ou de terceiros de origens como Nigéria, Costa do Marfim ou qualquer outro lugar”, alertou à Reuters o consultor de sustentabilidade Nicko Debenham, negociador global de cacau. Segundo ele, uma eventual restrição da oferta no mercado europeu poderá durar cerca de dois anos.

Exportadoras de cacau da Nigéria, como a Sunbeth Global, já sentem o impacto. A companhia informou que passou os últimos três anos mapeando 124 mil hectares de terras agrícolas no sul do país, representando cerca de 60 mil toneladas de cacau de sua cadeia de suprimentos. O custo desse mapeamento ficou entre US$ 30 e US$ 70 por tonelada. Até agora, os compradores europeus resistem às tentativas de repassar esses custos adicionais.

A lei antidesmatamento da UE tem como objetivo eliminar os 10% do desmatamento global atribuídos ao consumo de produtos importados pelo bloco. Adiada duas vezes, a EUDR também exige que os importadores comprovem que as mercadorias foram produzidas de acordo com as leis do país de origem.

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