Criação urbana de abelhas sem ferrão se consolida como fonte de renda e hobby nas cidades

A criação de abelhas, tradicionalmente associada ao campo, tem conquistado cada vez mais espaço nas áreas urbanas. A meliponicultura — criação de abelhas nativas sem ferrão — atrai pessoas que buscam um hobby ou uma renda extra, adaptando colmeias a ambientes antes considerados hostis para esses insetos.

Em Ribeirão Preto (SP), o apicultor Anderson Magalhães começou aos 12 anos, ao ver um enxame na casa de um amigo. Hoje, com 37 anos e mais de 600 colmeias em parceria com agricultores da região, ele já manteve 120 colônias de 36 espécies diferentes em plena área urbana. “Muita gente quer ter abelha em área urbana porque acaba sendo como um pet, sem o trabalho de um cachorro ou gato”, compara. Ele oferece consultorias e afirma que o principal público interessado está nas cidades.

Em São Carlos (SP), a bióloga Juliana Massimino Feres iniciou a criação após a queda de uma colmeia na casa dos avós, em 2014. Ela chegou a ter 50 caixas em área urbana e criou a marca de mel Eborá, que hoje responde por 30% de sua renda. “É uma atividade que combina com maternidade e com restauração de ecossistemas”, diz.

Já em Jaboticabal (SP), o meliponicultor Gustavo Siniscalchi mantém quatro apiários urbanos e um rural. Ele observa que o ambiente urbano tem floradas de melhor qualidade, mas enfrenta desafios como a aplicação de inseticidas pelas prefeituras para controle de dengue, que pode matar enxames inteiros.

O interesse urbano surpreendeu a Embrapa Meio Ambiente, que lançou um curso online sobre meliponicultura durante a pandemia. O pesquisador Cristiano Menezes conta que a demanda levou a uma reedição focada no público urbano. Ao todo, 15 mil pessoas já se inscreveram no curso gratuito. “Agora vemos uma cadeia produtiva se organizando, com criadores especializados em vender colônias”, relata.

No estado de São Paulo, a Secretaria de Agricultura registra 1.121 meliponários, sendo 141 na capital. A médica-veterinária Renata Teixeira, responsável pelo Programa Estadual de Saúde das Abelhas, destaca a importância de cadastrar as colmeias na Secretaria de Meio Ambiente e na Defesa Agropecuária para monitoramento sanitário. “O Estado precisa conhecer a localização e a quantidade para agir em caso de doenças”, alerta.

A meliponicultura urbana mostra-se uma atividade promissora, unindo paixão, sustentabilidade e geração de renda, mas exige cuidados com o registro e a proteção dos enxames.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis