O mercado de insumos biológicos no Brasil tem grande potencial de expansão, mas o ritmo desse avanço está diretamente ligado à evolução da regulamentação do setor. A conclusão é de especialistas que participaram da terceira edição do Fórum Bioinsumos no Agro, realizado em São Paulo.
De acordo com dados da consultoria Kynetec, os produtos de base biológica representaram cerca de 6% do mercado de defensivos e inoculantes nos principais cultivos do país na safra 2025/26. Mais de 80% da área de soja tratada para nematoides já utiliza insumos biológicos.
“Se tivermos soluções altamente performantes para ferrugem, percevejo e lagarta, tenho certeza de que esse mercado vai crescer ainda mais. O potencial é gigantesco”, afirmou Vitor Hugo Leite, coordenador de inteligência de mercado da Kynetec.
Para Amália Borsari, diretora de produtos biológicos da CropLife Brasil, os biológicos podem ganhar participação e substituir algumas soluções químicas, mas o avanço depende tanto do desenvolvimento tecnológico quanto do ambiente regulatório. A principal demanda do setor é a regulamentação da Lei dos Bioinsumos.
“Não é questão de ser biológico ou químico: é tecnologia. E, com certeza, a tecnologia será cada vez mais biológica com o passar do tempo, sem deixar de lado a importância das moléculas químicas”, destacou.
A Syngenta enxerga os bioinsumos como complementares aos produtos químicos, com foco no aumento da eficiência dos insumos já utilizados pelo produtor. “Hoje é um percentual pequeno da nossa receita, mas com potencial muito grande”, disse Igor Lyra, diretor sênior para biológicos da multinacional.
Cristhiane Amancio, chefe-geral da Embrapa Agrobiologia, afirma que os bioinsumos têm potencial para substituir integralmente alguns insumos sintéticos em situações específicas, como já ocorre com o nitrogênio na soja. No entanto, ressalta que esse potencial varia conforme a cultura, a praga e as condições ambientais. A pesquisadora defende uma transição complementar, sem oposição entre químicos e biológicos, e avalia que, com esses avanços, o cenário de uso dos bioinsumos pode ser significativamente diferente nos próximos cinco anos.