Hedgepoint projeta superávit global de açúcar de 3 milhões de toneladas impulsionado pelo Brasil

A Hedgepoint Consultoria estima que o mundo terá um superávit de fluxo comercial de açúcar de 3 milhões de toneladas no ciclo 2026/27. A previsão baseia-se na expectativa de que as usinas do Centro-Sul do Brasil reagirão à atual alta dos preços e aumentarão a aposta na produção da commodity, compensando perdas em outros países produtores.

A perspectiva contraria a maioria das consultorias privadas, que vinham revisando suas estimativas para déficit de oferta, considerando problemas na safra da Índia, Tailândia, México e América Central devido ao El Niño.

Para a Hedgepoint, o Brasil é capaz de elevar o mix de produção de cana destinada ao açúcar para 47,7% já na safra local de 2026/27 (ante projeção anterior de 47,3%), mesmo com limitações provocadas pelas chuvas mais frequentes deste ano. A consultoria também projeta que o Centro-Sul do Brasil poderá produzir 43 milhões de toneladas de açúcar na próxima safra, refletindo a vantagem do preço do açúcar em relação ao etanol e a perspectiva de aumento na moagem de cana-de-açúcar, em decorrência de possíveis chuvas maiores nos próximos meses.

Esse volume considera que o Centro-Sul processará 655 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na próxima safra (incluindo 5 milhões de toneladas de cana bisada da safra atual), com um mix de 50% destinado ao açúcar.

“Vemos uma situação de fluxo de comércio confortável”, afirmou Murilo Mello, head da mesa de açúcar da Hedgepoint, em entrevista coletiva. Ele acrescentou que o cenário pode ser “menos confortável no cenário extremo de El Niño, mas mesmo no pior caso, vemos uma situação de superávit considerável”.

Mello destacou que, se o mix açucareiro desta safra no Centro-Sul não for tão alto, ficando próximo de 47,1%, a oferta do país cairia em 500 mil toneladas. Somado a isso, se a Índia confirmar a facilitação de importações de 1 milhão de toneladas, o excedente seria reduzido em 1,5 milhão de toneladas, resultando em superávit de 1,5 milhão de toneladas. “Ainda é um superávit relevante. E se chover tanto no Centro-Sul neste ano, isso vai permitir uma mega safra de cana no ano que vem, aí terá mais açúcar do que prevíamos”, afirmou. Para ele, “talvez o preço do açúcar atual a 17 ou 18 centavos de dólar por libra-peso seja um exagero para cima, porque não se justifica”.

O cálculo da Hedgepoint para a oferta global considerou reduções de produção nos Estados Unidos (-2%), México (-15%), Guatemala e El Salvador (-10%), Índia (-3%), Tailândia (-20%), Europa (-15%) e Ucrânia (-17%).

Dessa forma, o Brasil deve garantir o equilíbrio do mercado mundial de açúcar, mesmo diante de adversidades climáticas e da redução de oferta em outros países produtores.

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