Hedgepoint estima produção de soja estável em 2026/27 e aponta menor crescimento em 30 anos

A consultoria Hedgepoint divulgou sua primeira projeção para a safra brasileira de soja 2026/27, indicando que a produção deve ficar praticamente estável em relação ao ciclo anterior. A estimativa é de 181,7 milhões de toneladas, volume sustentado pelo aumento da área plantada, enquanto a produtividade deve apresentar ligeira queda.

Na safra 2025/26, a produção foi de 181,5 milhões de toneladas. Segundo Luiz Roque, analista da Hedgepoint, este é “o menor crescimento dos últimos 30 anos talvez”. Ele explica que a expansão da área de soja, que entre 2016 e 2023 girava em torno de 1,5 milhão de hectares por ano, desacelerou significativamente. “É pouco provável que o ritmo anterior se repita, dada a deterioração da situação financeira dos produtores, com aumento da inadimplência, restrição de crédito e custos elevados”, afirmou.

A área plantada com soja no Brasil deve crescer 0,9%, para 49,2 milhões de hectares. Já a produtividade média está projetada em 3,69 toneladas por hectare, queda de 0,8% na comparação com o ciclo anterior. O recuo é atribuído a uma base de comparação elevada e à expectativa de clima apenas normal. “Entendemos que, com um clima apenas normal, devemos voltar para uma produtividade um pouco mais baixa”, disse Roque. Além disso, os investimentos nas lavouras devem ser menores devido ao aperto nas margens dos produtores.

A projeção não considerou os impactos de um possível El Niño. O analista alertou que, se o fenômeno ocorrer com intensidade forte a muito forte nos períodos críticos da safra, pode alterar o padrão de chuvas. Por ora, as previsões indicam precipitações dentro da média para setembro e outubro, sem afetar o plantio.

Exportações e preços da soja

A Hedgepoint ainda não estimou um volume para as exportações de soja do Brasil em 2026/27, mas ressaltou que os embarques devem continuar fortes e podem atingir novo recorde de 114 milhões de toneladas. No mercado internacional, a relação entre estoque e consumo nos Estados Unidos permanece apertada devido ao aumento do esmagamento de soja no país, puxado pelo mandato de mistura de biocombustíveis determinado pelo governo Trump. “Isso é um fator muito importante de suporte para o preço em Chicago”, afirmou Roque.

O analista destacou que o preço do óleo de soja está mais alto, garantindo margens elevadas para as processadoras americanas, e que a demanda da China pela soja dos EUA tem seguido as expectativas do acordo de 25 milhões de toneladas por ano. “É factível que esse ritmo se mantenha”, disse.

Milho: exportação menor e competição com Argentina

Para o milho, a Hedgepoint estima que o Brasil deve exportar 1 milhão de toneladas a menos em 2026 em relação a 2025, totalizando 41 milhões de toneladas (considerando o ano-safra de fevereiro de 2026 a janeiro de 2027). O motivo são problemas para enviar cargas ao Irã e o aumento da competição com a Argentina, que oferece milho mais barato. Enquanto isso, a destinação do grão para produção de etanol deve crescer de 23 milhões para 28,5 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da capacidade instalada.

No mercado internacional, o milho americano está muito competitivo e com ritmo de exportação recorde, o que deve dar suporte aos preços.

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