A chinesa Cofco International embarcou para a China seu primeiro carregamento de sorgo brasileiro em grande escala, totalizando 69 mil toneladas. A carga foi enviada pelo terminal agrícola da companhia no Porto de Santos, em São Paulo, e tem como destino o Porto de Nansha, em Guangzhou. A previsão é que o navio chegue ao destino final em aproximadamente 45 dias.
O embarque ocorre após a entrada em vigor do protocolo fitossanitário para exportação de sorgo brasileiro à China, assinado pelos dois países em novembro de 2024, e a liberação comercial efetivada a partir de 2025. O protocolo estabelece requisitos e procedimentos técnicos para garantir a segurança fitossanitária de cada carga enviada ao país asiático.
De acordo com a Cofco, a China é um importante mercado consumidor de sorgo, utilizado principalmente como matéria-prima para ração animal e na produção de baijiu, a tradicional bebida alcoólica chinesa. “A abertura desse novo fluxo comercial entre Brasil e China contribui para fortalecer as oportunidades para o cereal brasileiro e sua presença no mercado internacional”, afirmou a empresa em nota.
No fim de 2025, a China habilitou os primeiros estabelecimentos brasileiros autorizados a exportar sorgo ao país: quatro unidades em Mato Grosso, quatro em Minas Gerais, uma em Rondônia e uma na Bahia. A China responde por mais de 80% das importações globais de sorgo, e o Centro-Oeste brasileiro concentra mais de 60% da produção nacional do cereal.
O sorgo é visto como uma alternativa importante ao milho na alimentação animal na China, especialmente em períodos de menor oferta doméstica de milho ou quando o sorgo se mostra mais competitivo economicamente. As importações chinesas do grão saltaram de cerca de 1 milhão de toneladas para volumes próximos a 8 milhões de toneladas em alguns anos, demonstrando a capacidade do país de ajustar rapidamente sua matriz de matérias-primas.
Especialistas do setor avaliam que o movimento merece atenção do Brasil, que é competitivo na produção de milho e soja, mas vê o sorgo crescer como alternativa agronômica, especialmente em regiões de segunda safra e com restrição hídrica. Uma fonte do setor afirmou que uma demanda chinesa mais consistente pode representar uma nova oportunidade de mercado para o sorgo brasileiro, desde que haja competitividade, escala, qualidade e acesso comercial adequado.