O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a venda de mais de 41 mil hectares da Radar, empresa da qual a Cosan detém 30% de participação, para as empresas SLC Agrícola, Bom Futuro e Grupo Santa Maria, controlado pelo produtor rural Alexandre Bottan. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (20/8).
Em parecer, o superintendente-geral interino, Felipe Leitão Valadares Roquete, afirmou que a participação conjunta das partes nos mercados com sobreposição horizontal é inferior a 20%, filtro a partir do qual se presume posição dominante e possível exercício de poder de mercado. Ele também considerou que a participação de cada empresa nos mercados verticalmente integrados fica dentro de 30%, limite a partir do qual se presume capacidade de fechamento de mercado. “A operação não possui o condão de acarretar prejuízos ao ambiente concorrencial”, afirmou Roquete.
Em junho, a Cosan informou ao mercado que a Radar havia acertado a venda de 12% de suas terras, por R$ 1,85 bilhão. A área à venda, localizada em Mato Grosso, corresponde a fazendas que somam 41.214 hectares e que já são destinadas ao cultivo de soja, milho e algodão. O negócio faz parte da estratégia da Cosan de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio.
A SLC Agrícola já operava cerca de 17,6 mil hectares da área agricultável do bloco. O Grupo Bom Futuro, do empresário Eraí Maggi Scheffer, também exerceu seu direito de preferência como arrendatário. O Grupo Santa Maria atua na produção de soja, milho, algodão, pecuária, produção de fertilizantes, defensivos e insumos biológicos.
A participação da Cosan na área é avaliada em R$ 586 milhões, dada sua participação de 30% na Radar. Além da Cosan, a Radar tem como acionista a gestora americana Nuveen, que detém 70% da empresa.