A chinesa Cofco International embarcou para a China seu primeiro carregamento de sorgo brasileiro em grande escala, com 69 mil toneladas. O carregamento partiu do terminal agrícola da companhia no Porto de Santos e deve chegar ao Porto de Nansha, em Guangzhou, em aproximadamente 45 dias. De lá, o produto será distribuído pela Cofco Trading, conforme comunicado divulgado ontem.
O volume é apenas uma fração dos milhões de toneladas de sorgo que o Brasil pode enviar aos chineses neste ano, o que, se confirmado, representará um recorde para as exportações brasileiras do produto. Fontes ouvidas pela reportagem estimam que o Brasil pode exportar entre 2 milhões e 3 milhões de toneladas de sorgo para a China em 2026, dos quais boa parte já foi negociada por várias tradings que atuam no país.
Além da Cofco, a Amaggi também vendeu cerca de 270 mil toneladas de sorgo, que seguirão para os portos chineses ainda em agosto e setembro. A Bunge também vendeu sorgo para os chineses, de acordo com outra fonte, que citou que mais empresas de commodities têm atuado na comercialização do produto. Procuradas, as empresas não comentaram os volumes.
O recente fluxo de negócios envolvendo sorgo foi viabilizado pelo protocolo fitossanitário para a exportação do produto do Brasil à China, assinado pelos dois países em novembro de 2024. Porém, foi somente em novembro de 2025 que Pequim autorizou os primeiros estabelecimentos brasileiros a exportar ao mercado chinês, incluindo unidades de Mato Grosso, Minas Gerais, Rondônia e Bahia.
“A abertura do mercado chinês cria novas possibilidades para o sorgo brasileiro, ampliando as alternativas de comercialização para os produtores e conectando a produção nacional a um importante mercado consumidor”, afirmou o CEO da divisão de Grãos e Oleaginosas da Cofco no Brasil, Luiz Noto.
A produção brasileira de sorgo está estimada em 7,365 milhões de toneladas na safra 2025/26, um aumento de 20,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Do total, 48% saíram da região Centro-Oeste, principalmente de Goiás e Mato Grosso do Sul. As exportações do produto, até então, eram erráticas, variando de pouco mais de 33 mil toneladas em 2023 para 179,9 mil toneladas em 2024 e despencando para cerca de 2 mil toneladas no ano passado, conforme dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Se as estimativas de participantes do mercado para as exportações de sorgo à China se confirmarem, o volume marcará um recorde e um salto expressivo em relação ao histórico de embarques. O Brasil nunca exportou mais de 302,4 mil toneladas de sorgo em um ano, segundo dados do Mdic.
A China é um grande consumidor de sorgo, empregado tanto na produção de ração animal como de baijiu, tradicional bebida alcoólica. Em períodos de menor oferta doméstica de milho ou quando o sorgo tem mais competitividade, o país asiático amplia as importações de sorgo para complementar o abastecimento das rações. Nos últimos anos, a China também vem aumentando suas importações de sorgo de maneira expressiva, saindo de cerca de 1 milhão de toneladas ao ano para perto de 8 milhões de toneladas anuais em pouco tempo. O país é responsável por mais de 80% das importações globais de sorgo.