Soja e milho fecham em alta em Chicago com novas estimativas de safra nos EUA

Os preços da soja e do milho encerraram o último pregão da semana em alta na Bolsa de Chicago, impulsionados por novas projeções de safra divulgadas pela expedição Pro Farmer Crop Tour. O movimento ocorre em meio a ajustes de mercado e expectativas para a colheita americana, que deve começar em setembro.

Os contratos da soja para novembro avançaram 0,24%, cotados a US$ 12,3950 o bushel. A Pro Farmer estimou a colheita americana de soja em 124,42 milhões de toneladas, volume superior às 122,98 milhões projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em agosto. Para Daniele Siqueira, analista da AgRural, os números da expedição tiveram influência secundária sobre os preços. “O que realmente dita o mercado são fatores geopolíticos, movimentos financeiros e influência de outros mercados”, afirma.

A analista alerta que a colheita de soja nos EUA, prevista para setembro, pode exercer pressão sazonal negativa sobre as cotações. “O tamanho dessa pressão dependerá de outros fatores, como os desdobramentos da guerra no Irã, o encontro entre os presidentes dos EUA e da China, e as especulações sobre o plantio no Brasil”, explica.

Já o milho registrou alta de 0,99% nos contratos para dezembro, a US$ 5,0850 o bushel, sustentado por notícias pessimistas para a safra americana. A Pro Farmer projetou a produção de milho em 389,75 milhões de toneladas, abaixo das 406,75 milhões estimadas pelo USDA. Segundo Siqueira, o clima desfavorável em julho, durante a fase crítica de definição da produtividade, comprometeu o potencial das lavouras. No entanto, ela ressalta que as perdas não devem alterar significativamente o balanço de oferta dos EUA. “Apesar das produtividades mais baixas em relação aos recordes da temporada passada, os EUA têm safras muito boas neste ciclo 2026/27. Não são recordes, mas são safras na média do país”, destaca.

No mercado de trigo, as cotações fecharam em leve queda de 0,11% para os contratos de dezembro, a US$ 6,9925 o bushel, em meio a um movimento de realização de lucros. O foco permanece nas tensões entre Rússia e Ucrânia, que afetam o escoamento de grãos pelo Mar Negro. A Rússia, maior exportador mundial de trigo, deve registrar em agosto o menor volume de vendas externas desde 2010, estimado em 2,2 milhões de toneladas pela consultoria SovEcon. A empresa também reduziu a previsão de produção russa para 2026/2027 de 88,50 milhões para 88,20 milhões de toneladas, devido ao recuo na área plantada.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis