Criação de lambari para isca viva cresce impulsionada pela pesca esportiva

O lambari, peixinho que remete à infância de muitos pescadores, está ganhando cada vez mais espaço na piscicultura comercial. A produção em cativeiro do lambari para ser usado como isca viva em pescarias esportivas cresce de 5% a 8% ao ano, impulsionada pelo aumento da demanda de pescadores que buscam peixes maiores, como o tucunaré.

Segundo dados do IBGE, a lambaricultura representa menos de 1% da piscicultura brasileira, mas a atividade é altamente rentável. O zootecnista Fábio Sussel, do Instituto da Pesca de São Paulo, destaca que o nicho tem se mostrado promissor, com rentabilidade atual de 35% — embora tenha sido ainda maior até 2015, quando perdeu o posto de maior rentabilidade para os peixes de aquário.

Jomar Delefrate, o maior produtor de lambaris do país, começou a migrar para a criação comercial na década de 1990, após perceber que os peixinhos proliferavam espontaneamente em seus tanques de pacu e tilápia e eram cada vez mais demandados como iscas vivas. Hoje, ele produz cerca de 20 milhões de unidades por ano em 12 fazendas integradas em Buritizal (SP), abastecendo os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

A produção de Jomar envolve reprodução induzida em laboratório, berçário e engorda em tanques escavados. Ele administra 170 tanques no total, sendo 42 em sua propriedade e os demais com parceiros que cederam tanques desativados. Uma vantagem apontada pelo produtor é a segurança: “Ninguém quer limpar o peixinho. Em 30 anos, nunca tive furtos.”

Outro produtor que aposta no lambari é Rian Gabriel Alves de Souza, de 22 anos, mineiro de Morada Nova de Minas. Ele investiu R$ 150 mil na compra de matrizes e instalação de tanques escavados, e realiza a engorda em tanques rede na represa de Três Marias. Sua produção média é de 50 a 60 mil lambaris por mês, com custo de R$ 0,10 a R$ 0,15 por peixe e venda a R$ 0,50 como isca viva. Rian planeja quadruplicar a produção ainda este ano.

Anderson Franco Pereira Pinto, de Sete Barras (SP), também inclui o lambari em seu negócio, que representa 10% da produção. Com assistência do Senar, ele produz de 1 a 2 milhões de unidades entre agosto e março, vendendo alevinos e iscas vivas.

Apesar do potencial, o setor enfrenta gargalos como a mão de obra especializada — necessária para o manejo delicado e transporte que garanta a chegada viva do peixe — e a falta de reconhecimento. “Ninguém te leva a sério quando você diz que é criador de lambari”, comenta Rian. Mesmo assim, a atividade é reconhecida como sustentável pela Secretaria de Agricultura de São Paulo desde 2014 e continua atraindo novos produtores.

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