Técnicos da União Europeia desembarcam no Brasil para uma missão de duas semanas com o objetivo de avaliar o sistema de produção, processamento e fiscalização de carnes de aves e mel. A inspeção, que começa nesta segunda-feira (24/8), tem como foco verificar o cumprimento das regras sobre o uso de antimicrobianos nessas cadeias produtivas. O resultado será determinante para a continuidade das exportações brasileiras ao bloco europeu.
A missão ocorre em meio ao anúncio da UE, em maio, que retirou o Brasil da lista de exportadores aptos a enviar produtos de origem animal, alegando falta de comprovação do controle de antimicrobianos. O bloqueio está previsto para entrar em vigor em 3 de setembro, mesma data em que os técnicos europeus estarão no país.
No setor de aves, a expectativa é positiva. Fontes do setor produtivo afirmam, sob reserva, que as empresas já praticam a segregação de animais destinados à Europa e não utilizam antimicrobianos como promotores de crescimento. A decisão final sobre o retorno ou não à lista de exportadores caberá exclusivamente aos europeus, após a auditoria.
As equipes oficiais nos frigoríficos já foram orientadas a não certificar, a partir de 3 de setembro, produtos que não atendam aos requisitos europeus. O retorno do Brasil à lista depende de deliberação do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff) da Comissão Europeia. Embora haja possibilidade de reuniões extraordinárias, o próximo encontro ordinário está agendado para novembro.
Em 2026, o Brasil exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a UE, gerando faturamento de quase US$ 680 milhões. Só em julho, os embarques somaram 36,8 mil toneladas e US$ 104,2 milhões, conforme dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura.
Os técnicos europeus terão reuniões com o Ministério da Agricultura em Brasília a partir de 24/8 e seguirão para visitas em quatro empresas de aves habilitadas à exportação no Paraná e Mato Grosso do Sul. Também serão analisados apiários paranaenses e uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo, além de agências estaduais de defesa agropecuária. A missão se encerra em 4 de setembro, com uma reunião de conclusão em Brasília.
Segundo a representação da UE no Brasil, o trabalho será essencialmente documental, com foco em rastreabilidade, programas de autocontrole, boletins sanitários e registros de uso de medicamentos veterinários. O Ministério da Agricultura coordena a visita, mas não comentou oficialmente.