Um grupo de amigos de Santa Catarina protagonizou uma pescaria histórica no Rio Teles Pires, em Sinop (MT), ao capturar um pirarucu de impressionantes 2,45 metros de comprimento. O peixe, que supera em 12 centímetros o atual recorde da espécie (Arapaima gigas) de 2,33 metros, não será reconhecido como novo marco pela Brazilian Game Fish Association (BGFA) devido a dois fatores cruciais: a medição inadequada e o abate obrigatório do exemplar.
“Foi uma sensação surreal, um misto absurdo de adrenalina, emoção e alegria. A energia tomou conta, foi simplesmente indescritível. Quase não conseguimos tirá-lo da água de tão grande e pesado”, relatou o empresário e barista Felipe Barp Rossetto, um dos integrantes do grupo, em entrevista à Globo Rural.
O pirarucu, nativo da bacia amazônica, é um dos maiores peixes de escama de água doce do mundo. Segundo a Embrapa, costuma medir entre 1,5 e 2 metros. O exemplar capturado pelos catarinenses foi fisgado pelo engenheiro Júnior Santin, que estava em um caiaque, enquanto os demais — Felipe, o policial científico Lucas Cambrussi e o aposentado Vilson Rossetto — acompanhavam de um barco próximo.
Após a fisgada, o grupo levou mais de uma hora para retirar o animal da água. Apesar do tamanho recorde, a homologação do registro esbarrou em duas exigências da BGFA não cumpridas:
- Medição oficial: O grupo dispunha apenas de uma trena convencional e uma régua da BGFA com capacidade para medir no máximo 1,50 metro. Para peixes maiores, é necessária uma fita métrica oficial específica.
- Soltura obrigatória: A entidade exige que o peixe seja devolvido vivo à água. No entanto, os pescadores optaram por abater o pirarucu seguindo a Instrução Normativa nº 07/2026 do Ibama, que classifica a espécie como exótica invasora fora de sua área de ocorrência natural e recomenda o abate para controle populacional.
“A portaria fala, inclusive, que o pescador tem por obrigação fazer o abate. Para nós, que sempre pescamos esportivamente e soltamos os peixes, até causa uma sensação estranha ter que abater um peixe assim tão grande, mas é necessário por ser uma espécie invasora e para ajudar no controle populacional”, explicou Felipe.
A norma do Ibama abrange 10 regiões hidrográficas do país onde o pirarucu é considerado invasor, incluindo as bacias do Atlântico Nordeste, São Francisco, Paraná, Uruguai, Atlântico Sul, Paraguai e a porção superior do rio Madeira. A captura e o abate são permitidos nessas áreas, o que levou os pescadores a seguirem a regulamentação.
O atual recorde homologado da espécie pertence a Luiz Eduardo Quadro Moraes, que capturou um pirarucu de 2,33 metros no Rio Guariba, em Apuí (AM). Apesar de o peixe catarinense superar essa marca, a falta de medição padronizada e a não soltura impedem o registro.
Para o grupo, a experiência foi inesquecível. “Era um sonho realmente. Nós vamos sempre ao Mato Grosso para tentar capturar um peixe grande, só não imaginávamos que seria tão grande assim”, concluiu Felipe.