O mercado brasileiro de sementes movimenta R$ 38 bilhões por ano e, assim como outros segmentos do agronegócio, enfrenta desafios como mudanças climáticas, oscilações econômicas e a necessidade constante de inovação. Além disso, o setor precisa combater práticas ilegais na produção e no fornecimento. Esses e outros temas relevantes serão discutidos no 23º Congresso Brasileiro de Sementes, que ocorre entre os dias 25 e 28 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR). O evento é organizado pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates).
A programação reúne analistas, pesquisadores, produtores e representantes de empresas de sementes para debater tendências, riscos de mercado e oportunidades. A introdução de ferramentas tecnológicas, como a inteligência artificial, também estará em pauta.
“O mercado está demandando tecnologia e mão de obra qualificada. É preciso ficar atento ao aumento da demanda, às quedas e aos momentos de valorização”, afirma Fernando Henning, pesquisador da Embrapa Soja e presidente do Congresso.
Outro tema central é o uso de bioinsumos e sua correta aplicação no campo para preservar o vigor e a germinação das sementes. Segmentos como hortaliças e forrageiras também terão espaço na programação técnica. “A biotecnologia precisa estar viva na semente. Não é simples produzir e viabilizar isso”, destaca Henning.
O clima é apontado como o maior desafio atual para a biotecnologia, exigindo sua incorporação no melhoramento genético — seja convencional, transgênico ou por edição gênica. “A pesquisa sobre a seca na soja já dura décadas. Avançamos, mas o desafio é constante”, completa.
O congresso também abordará a desinformação no setor. Henning alerta que agricultores têm recebido informações duvidosas sobre sementes por aplicativos como WhatsApp, muitas vezes sem base científica. “Nossa preocupação é que essa comunicação não tenha fundamento em pesquisa. Empresas e consultores precisam levar conhecimento de qualidade ao produtor”, afirma.
Propriedade intelectual, royalties e patentes também estarão em discussão. O assunto divide opiniões entre produtores rurais e detentores de tecnologia, especialmente no caso da soja transgênica Intacta, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Abrates defende que a cobrança de royalties é essencial para estimular investimentos em inovação, mas reconhece a existência de uma “zona cinzenta” na legislação de patentes, que precisa ser atualizada.
A expectativa é reunir cerca de cem especialistas do Brasil e do exterior em painéis e simpósios técnicos. Paralelamente, foram submetidos quase 700 trabalhos científicos, dos quais 650 foram aprovados, com foco em produção, qualidade, pragas, doenças, bioeconomia e sustentabilidade na cadeia produtiva de sementes.