Queda de 25% na importação de ureia no Brasil: impacto do conflito no Oriente Médio, aponta StoneX

As importações brasileiras de ureia registraram queda de 25% no acumulado entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da consultoria StoneX. No mesmo intervalo, as compras de nitrato de amônio recuaram 33%.

De acordo com a StoneX, o mercado de fertilizantes nitrogenados foi um dos mais afetados pelo conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro e ainda sem solução. A região é uma grande produtora de ureia, e desde o início da guerra as cotações da matéria-prima chegaram a subir quase 70%, levando as relações de troca a um dos piores patamares dos últimos anos.

O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explica que a paralisação das negociações trouxe os preços da ureia de volta a níveis observados antes do conflito, o que reduziu o risco de os produtores brasileiros não conseguirem arcar com os custos. No entanto, ele pondera: “Se por um lado as relações de troca estão próximas de níveis históricos, por outro, as compras seguem atrasadas em relação a anos anteriores. Isso sugere que, para recuperar os mesmos níveis de nitrogenados importados no ano passado, o Brasil terá de acelerar as compras e avançar na recomposição de estoques.”

Com a aproximação do plantio da soja, a atenção do mercado de fertilizantes deve se voltar gradualmente para a safrinha de milho de 2027, aumentando o foco nos nitrogenados, especialmente a ureia. O milho é uma cultura intensiva no uso desse tipo de insumo. “Por ora, as relações de troca e os preços favorecem os compradores, mas, com a recuperação da demanda, existe a possibilidade de que as cotações ganhem força à medida que o ímpeto comprador brasileiro recupere tração”, conclui Pernías.

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