A chegada de empresas chinesas ao mercado brasileiro de biotecnologia agrícola promete intensificar a concorrência em um segmento dominado por poucas multinacionais. Mesmo que os primeiros produtos não tragam inovações disruptivas, o impacto inicial pode estar ligado a preços e estratégias comerciais, avaliam representantes de empresas brasileiras do setor.
Pelo menos três companhias chinesas avançam no Brasil: DBN Biotech, LongPing e KingAgroot. A DBN já obteve liberação comercial de eventos tecnológicos (traits) no país e planeja lançar o primeiro produto em 2028. O mercado de sementes de soja movimenta mais de R$ 30 bilhões anuais, atraindo o interesse dessas empresas.
Fontes do setor destacam que, embora não haja ruptura tecnológica imediata, a capacidade de investimento, escala e pesquisa chinesa pode surpreender em médio e longo prazo. “O diferencial inicial pode estar na competitividade comercial e na estratégia de posicionamento”, afirma um representante que preferiu não se identificar.
Os primeiros produtos da DBN focam resistência a insetos e tolerância a herbicidas – características já existentes. No entanto, a empresa testa novos eventos para controle de percevejos, doenças, nematoides e plantas daninhas. Para André Schwening, presidente da Amssoja, a entrada chinesa eleva a competição e beneficia toda a cadeia, especialmente o agricultor.
Em paralelo, a China busca reduzir a dependência de importações de soja, mas especialistas acreditam que o Brasil continuará como grande fornecedor. “Eles não vão colocar todos os ovos na mesma cesta”, resume Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja. A DBN planeja instalar um centro de P&D no Brasil para fortalecer sua atuação.