O diretor financeiro da Minerva Foods, Edison Ticle, afirmou nesta quinta-feira (27/8) que, após a recente queda nos preços do boi gordo no Brasil, as cotações devem permanecer estáveis por um período, com o preenchimento da cota da China e a redução dos abates voltados ao país. No entanto, para o fim do ano, os preços tendem a se recuperar, impulsionados pelo aumento da demanda da indústria brasileira no último trimestre, visando atender à cota de importação sem tarifa adicional de 2027.
Ticle também comentou que o consumo doméstico de carne bovina está “menos aquecido” devido ao endividamento das famílias brasileiras. “Isso vem afetando todos os produtos, inclusive o setor de alimentos. Mas todas as projeções da companhia já contemplam esse cenário e isso não deve afetar nosso planejamento deste ano”, afirmou.
Fechamento de capital não está em pauta
O executivo negou que a Minerva esteja avaliando um fechamento de capital. Segundo ele, essa possibilidade “nunca foi levada à empresa” pelos controladores. Em junho, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questionou a companhia após rumores na imprensa. Em resposta, a Minerva afirmou que não houve qualquer deliberação societária sobre o tema.
Alavancagem e dividendos
Ticle revelou que a alavancagem atual de 2,9 vezes (dívida líquida sobre Ebitda ajustado) está acima do ideal de 1,7 vez. Para reduzir esse nível, a diretoria propôs ao conselho cortar a distribuição de dividendos para o mínimo legal de 25% do lucro líquido, ante os 50% pagos anteriormente. A medida visa liberar caixa e reduzir despesas financeiras.
Com a geração de Ebitda no segundo semestre e a realização de estoques na China, a empresa projeta gerar mais de R$ 1 bilhão em caixa livre em 2026. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, o fluxo de caixa livre foi de R$ 636 milhões.
Por Clarice Couto — Barretos (SP)*