O Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo) emitiu um alerta sobre o aumento dos custos com a compra de trigo, motivado pela combinação de fatores climáticos e geopolíticos que afetam a produção e as cotações internacionais. Com a expectativa de uma queda significativa na produção nacional, a entidade destaca que cresce a necessidade de importações e, consequentemente, os custos da matéria-prima para a indústria.
“Temos uma combinação de fatores que exige atenção de toda a cadeia do trigo. A redução da produção brasileira ocorre justamente em um momento de maior instabilidade no mercado internacional, com impactos sobre preços, logística e disponibilidade do cereal. Esse cenário aumenta a pressão sobre a indústria e reforça a importância de acompanhar de perto a evolução da oferta”, afirmou Max Piermartiri, presidente do Sindustrigo, em nota.
A produção brasileira da safra 2025/26, que está sendo colhida, é estimada em 5,8 milhões de toneladas, uma queda de 26% em relação à temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No cenário internacional, a guerra entre Rússia e Ucrânia no Mar Negro tem provocado novos impactos sobre o escoamento do trigo, enquanto as condições climáticas associadas ao El Niño acrescentam incertezas à oferta global.
“Para o trigo, o excesso de chuvas no Sul da América do Sul é um dos principais pontos de atenção. Na Argentina, importante fornecedora do cereal para o mercado brasileiro, já há registros de queda na qualidade do trigo. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê redução de 19% nas exportações argentinas no ciclo 2026/2027”, disse o dirigente.
Ele ressaltou que a menor disponibilidade de trigo de alta qualidade industrial, essencial para a panificação, pode levar compradores a buscar alternativas em mercados mais distantes e com custos maiores. No Brasil, as primeiras colheitas no Paraná já apresentam problemas devido a doenças e a fatores climáticos adversos, principalmente o excesso de chuvas. No Rio Grande do Sul, embora as lavouras ainda não estejam em fase final, o excesso de precipitações já prejudica seu desenvolvimento.
“A preocupação não está apenas no volume produzido, mas também na qualidade do trigo que estará disponível para a indústria. As condições climáticas têm impacto direto sobre as lavouras e podem comprometer características importantes do cereal. Por isso, o cenário precisa ser acompanhado considerando tanto a oferta quanto a qualidade da matéria-prima”, destacou.
A redução projetada para a safra brasileira deverá ampliar a necessidade de importações para atender à demanda interna, estimada em mais de 13 milhões de toneladas. “Em um contexto de dólar valorizado e preços internacionais em alta, a pressão sobre os custos tende a alcançar toda a cadeia”, acrescentou.