Os preços do trigo fecharam o último pregão da semana em alta superior a 3% na Bolsa de Chicago, renovando os maiores patamares em mais de três anos. Os contratos para dezembro subiram 3,06%, para US$ 7,84 o bushel, pressionados pelas dúvidas sobre o escoamento do cereal diante da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Guerra restringe embarques pelo Mar Negro
Segundo a consultoria Granar, o conflito entre Rússia e Ucrânia restringiu severamente os embarques de trigo pelo Mar Negro, principal rota de exportação da região. O ministro da Agricultura da Ucrânia, Taras Vysotskyi, afirmou que as exportações de grãos do país totalizaram 1,42 milhão de toneladas e podem chegar a 1,70 milhão de toneladas até o final do mês. Esse volume está bem abaixo das 4 milhões de toneladas que eram normalmente exportadas antes do bloqueio dos portos devido aos ataques russos.
O ministro também reiterou que os agricultores reduzirão a área semeada com trigo de inverno para a colheita do próximo ano, dos 4,70 milhões de hectares plantados em 2026, sem apresentar uma projeção.
Do lado russo, os embarques de trigo permanecem suspensos via Mar de Azov e ainda restritos nos poucos terminais operacionais no Mar Negro que não foram afetados pela guerra. Diante desse cenário, a possibilidade de isenção das tarifas de exportação de grãos até o final do ano não tem impacto sobre os preços, pois o único fator relevante é se o grão produzido pela Rússia conseguirá chegar ao mercado nos próximos meses.
“O problema é que mais de 95% da capacidade de exportação através do Mar Negro e do Mar de Azov está fisicamente paralisada. Uma isenção fiscal não resolve esse problema”, afirmou Andrey Sizov, diretor da consultoria SovEcon.
Milho e soja também avançam em Chicago
O preço do milho também subiu, impactado pela disparada do trigo. Os contratos para dezembro se valorizaram 0,56%, a US$ 5,3650 o bushel. Os futuros do milho estão atualmente nos maiores valores em mais de dois anos e meio, respondendo também às reduções nas estimativas de safra nos EUA e à continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Já a soja avançou apoiada pela alta do farelo e do óleo de soja. Os contratos da oleaginosa para novembro subiram 1,58%, a US$ 12,88 o bushel. A expectativa de incremento nas vendas dos subprodutos nos EUA impactou o mercado, segundo a Granar. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) comunicou a venda de 182 mil toneladas de soja para a China.