Em 2025, o Brasil tornou-se o maior produtor global de carne bovina, com exportações recordes de 3,5 milhões de toneladas, superando os Estados Unidos. No entanto, o protagonismo trouxe desafios: a China suspendeu compras de plantas brasileiras por resíduos de medicamentos proibidos, os EUA aplicaram tarifas sobre trabalho forçado e a União Europeia exigirá comprovações ambientais e sanitárias a partir de 2027. O principal gargalo é a falta de rastreabilidade total do rebanho.
A complexidade da cadeia produtiva, com fornecedores indiretos de diferentes níveis, dificulta o monitoramento. O chamado “lavagem de gado” — transferência de animais de áreas irregulares para regulares — ainda é comum. Enquanto grandes frigoríficos avançam no controle dos indiretos, a maioria dos cerca de 1.100 frigoríficos brasileiros, que atendem o mercado interno (70% da produção), não possui políticas efetivas.
O Ministério Público Federal, por meio do programa Carne Legal e do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), prepara-se para incluir os fornecedores indiretos de primeiro nível na Amazônia Legal, com expansão para o Cerrado. A regra, adiada para janeiro de 2027, cruzará dados socioambientais e Guias de Trânsito Animal (GTAs).
Iniciativas voluntárias, como o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), têm baixa adesão — menos de 0,05% das fazendas. Em 2024, o governo lançou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Pnib), com meta de identificar todo o rebanho até 2032. Estados como Mato Grosso e Pará também criaram programas obrigatórios, impulsionados pela COP30.
Para se manter como líder exportador, o Brasil precisa comprovar boas práticas sanitárias e ambientais em toda a cadeia, superando a complexidade do setor e a resistência histórica à rastreabilidade obrigatória.