Integrantes do Parlamento Europeu afirmaram nesta segunda-feira (31/8) que a decisão da União Europeia de bloquear as importações de carnes do Brasil entrará em vigor na próxima quinta-feira (3/9), sem possibilidade de prorrogação apesar dos pedidos brasileiros. A medida inclui carne bovina, de aves, ovos, mel, tripas e pescados.
O eurodeputado irlandês Ciaran Mullooly confirmou, em suas redes sociais e à imprensa europeia, que a “proibição total” da entrada de carne bovina brasileira na UE foi assegurada pelo gabinete do Comissário Europeu para a Saúde e o Bem-Estar Animal, Oliver Varhelyi. Segundo ele, não haverá adiamento do início do bloqueio, que deve durar ao menos dois anos para a proteína bovina, tempo entre nascimento e abate dos animais.
Fontes brasileiras que acompanham o assunto em Brasília e na Europa minimizaram a manifestação do parlamentar, afirmando que esse já era o desfecho esperado, mesmo com a intensificação das tratativas. O Ministério da Agricultura não se pronunciou até o momento.
Em 2025, as exportações de carne de aves e de gado renderam US$ 1,8 bilhão aos frigoríficos brasileiros. A decisão de retirar o Brasil da lista de países aptos a exportar para a UE foi tomada em maio deste ano, com base no não cumprimento das exigências europeias quanto ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais.
Mullooly afirmou ao site Agriland que não haverá autorizações individuais para regiões ou fazendas brasileiras. “Missão cumprida. Adeus, carne brasileira: a partir de quinta-feira, 3 de setembro, ela sai do cardápio”, escreveu. Já o deputado Martin Kenny, do partido irlandês Sinn Féin, cobrou esclarecimentos sobre o destino da carne brasileira já em circulação e sugeriu um recall imediato. Ele classificou as carnes brasileiras como de “qualidade inferior” e destacou preocupações com o uso de antibióticos e hormônios de crescimento proibidos no Brasil, além da falta de rastreabilidade.