El Niño impulsiona alta de commodities agrícolas em Nova York e Chicago

Em agosto, os preços futuros de commodities agrícolas voltaram a subir nas bolsas de Nova York e Chicago, com o El Niño no centro das preocupações dos investidores. O açúcar liderou os ganhos na ICE Futures US, com alta de 13,2% no mês, para 17,80 centavos de dólar por libra-peso, segundo dados do Valor Data. O temor de uma produção global menor — especialmente na Europa, Índia e Tailândia — sustenta as apostas em um déficit de 1,7 milhão de toneladas na safra 2026/27, conforme estimativas da StoneX.

O algodão também fechou agosto em alta expressiva de 8,4%, cotado a 86,46 centavos de dólar por libra-peso. A pior seca dos últimos dez anos nos Estados Unidos elevou o índice de abandono das lavouras para 20%, enquanto condições climáticas adversas na China, com temperaturas de até 50°C em Xinjiang, agravam o cenário. O cacau avançou 7,1%, para US$ 6.000 a tonelada, pressionado por temores sobre as lavouras do oeste da África.

Na Bolsa de Chicago, o milho subiu 7,5%, com média de US$ 4,9290 por bushel, após a Pro Farmer estimar colheita americana de 389,75 milhões de toneladas, abaixo das 406,75 milhões projetadas pelo USDA. O trigo ganhou 4,8%, a US$ 6,9374, impacto de ataques ucranianos a portos russos no Mar Negro, que paralisaram 95% da capacidade exportadora da Rússia. A soja acompanhou a tendência e valorizou 1,2%, a US$ 12,0706 por bushel.

Entre os demais produtos, o café arábica teve leve alta de 0,29% (US$ 3,1845/lb) e o suco de laranja subiu 0,31% (US$ 1,5025/lb). O mercado de açúcar trabalha com expectativa de déficit na produção global, como ilustra a imagem abaixo.

Analistas destacam que os fundos estão se antecipando aos impactos do El Niño sobre as safras, e os relatórios oficiais do USDA em setembro devem trazer direções mais claras. Enquanto isso, o clima continua ditar o ritmo dos negócios nas principais bolsas de commodities do mundo.

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