Produtores do Rio Grande do Sul planejam reduzir soja e investir em milho na safra 2026/27

O produtor gaúcho deverá diminuir a área de soja neste ano e aumentar a lavoura de milho, conforme a primeira estimativa da safra de verão 2026/27 da Emater-RS, divulgada durante a Expointer, em Esteio (RS). O milho será a única lavoura de verão com aumento de área no estado, com previsão de 896 mil hectares plantados, alta de 7,42% em relação à safra anterior. A produção estimada é de 6,9 milhões de toneladas, volume 7,18% maior.

Já a soja, principal cultura de verão, terá redução de 0,92% na área plantada, totalizando 6,26 milhões de hectares — uma diminuição de 60 mil hectares, praticamente o mesmo tamanho do aumento da área de milho. A produção da oleaginosa deve crescer 15,32%, para 21,15 milhões de toneladas.

Segundo Mateus Soares da Rocha, diretor técnico da Emater, o produtor gaúcho busca mais o milho por segurança climática. O cereal é plantado no início da primavera, quando o fenômeno El Niño garante chuvas abundantes, fator importante após sucessivas secas no verão. A redução da soja também é atribuída à dificuldade de acesso ao crédito rural devido ao endividamento, consequência das estiagens desde 2020.

O produtor Michel Rodrigues, de Tupanciretã, decidiu investir em milho após perdas na soja. Em sua área de 1,5 mil hectares, ele costumava plantar soja e manter pecuária. Agora, reduz a oleaginosa e aposta no cereal pela primeira vez. “Devo iniciar o plantio de milho nesta semana. Está sendo uma lavoura mais rentável, com bons preços, e com o El Niño deve ter chuva garantida”, afirma. Já a soja teve rentabilidade menor, com gastos elevados e insumos mais caros.

Fernando Camargo Júnior, de Júlio de Castilhos, planeja aumentar em 20% a área de milho, atraído pela rentabilidade e condições climáticas melhores. Ele também reduzirá a soja, mas ainda não definiu o corte.

Considerando todas as lavouras de verão (soja, milho, arroz, feijão e sorgo), a área total de grãos no Rio Grande do Sul será 0,37% menor, com 8,428 milhões de hectares. A produção total esperada é de 35,64 milhões de toneladas, aumento de 8,64%.

Além da soja, o arroz também terá redução de área. Segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a cultura ocupará 861 mil hectares, queda de 3,4%. A produção de arroz deve cair 5,49%, para 7,5 milhões de toneladas.

Flávio Varone, agrometeorologista da Seapi, destacou que a previsão de um El Niño muito forte nos próximos seis meses deve trazer primavera e verão mais chuvosos, com maior probabilidade de eventos extremos como enchentes. No entanto, ainda é cedo para projeções precisas. As chuvas podem dificultar a semeadura e exigir mais investimentos em controle de doenças.

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