AGBI abre escritório em Abu Dhabi para atrair capital estrangeiro ao mercado de terras brasileiro

A AGBI, gestora de fundos especializada no mercado de terras, deu um passo importante em seu processo de internacionalização. A empresa inaugurou um escritório em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de atrair investidores estrangeiros para o agronegócio brasileiro. A meta é ambiciosa: alcançar R$ 1,5 bilhão em ativos sob gestão até 2027, sendo metade desse montante oriundo de capital externo.

Atualmente, a AGBI administra R$ 329,9 milhões em ativos, distribuídos entre dois fundos: o AGBI III Carbon e o AGBI Tivio RegenAg Farmland Fund IV. A estratégia prevê que, até 2028, o escritório em Abu Dhabi se torne uma gestora independente, reduzindo os impactos cambiais e facilitando a aproximação com investidores do Oriente Médio, Europa e Ásia.

Segundo Mário Lewandowski, diretor de desenvolvimento de negócios da AGBI, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu a compra de terras por empresas brasileiras de controle estrangeiro não é um obstáculo. Ele explica que, por atuarem por meio de fundos, a gestão permanece sob controle brasileiro, o que oferece segurança jurídica adicional.

Até o fim de 2025, a gestora espera elevar o total de ativos para R$ 550 milhões, impulsionada por novas operações e pela parceria com a Innovatech, empresa de gestão florestal. Dois novos fundos estão previstos para os próximos anos: um florestal e outro focado em natureza, com captação já em negociação com investidores europeus e asiáticos.

Lewandowski destaca que o contexto geopolítico atual favorece o Brasil como “porto seguro estratégico” para a produção de alimentos e descarbonização. A guerra no Oriente Médio, que inicialmente adiou a viagem de inauguração, acabou se tornando uma oportunidade para demonstrar compromisso de longo prazo com a região.

Nos últimos cinco anos, os investidores dos fundos da AGBI obtiveram R$ 200 milhões em retorno com a venda de fazendas recuperadas. A gestora aposta na crescente demanda de investidores árabes por segurança alimentar e diversificação de portfólio, especialmente entre a nova geração de empresários locais.

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