Os visitantes da 49ª Expointer, em Esteio (RS), estão acompanhando de perto o trabalho incansável de duas “funcionárias” rurais que não recebem salário, mas obedecem ordens sem hesitar. Bugra e Maragata, duas cadelas da raça border collie, participam das oficinas de pastoreio de ovelhas promovidas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Em um curral montado especialmente para a ação, o instrutor Rodrigo Belebon demonstra técnicas de condução de ovinos com o uso dos cães. Por meio de comandos tradicionais, como “come by”, “away” e “stand”, o especialista faz com que as “pastoras caninas” juntem o rebanho com agilidade e desloquem as ovelhas nos cercados.
Belebon destaca que o uso do cão otimiza o trabalho no campo e garante o bem-estar animal dos ovinos. “Ele é um funcionário sem salário que trabalha todo o dia, torna o manejo mais fácil e conduz os rebanhos de uma forma mais confortável, o que evita estresse e perda de peso dos animais, ajudando a sobrar mais dinheiro no bolso do produtor”, comenta.
No Brasil, os cães de pastoreio são utilizados principalmente no manejo de rebanhos de bovinos e ovinos, possibilitando que o trabalho com os animais seja realizado de forma prática e tranquila. Para garantir uma boa seleção genética, são utilizados somente cães border collie. O nome vem da região de origem da raça, a fronteira (border, em inglês) entre a Escócia e a Inglaterra. No Brasil, a genética da raça é registrada pela Associação Brasil Border Collie (ABBC).
“Nos últimos cinco anos, nasceram cerca de mil filhotes por ano, o que é pouco. Também ainda temos poucos treinadores para os cães”, afirma Belebon.
O treinamento é realizado inicialmente com rebanhos de ovinos, de maneira controlada, começando em situações próximas e de menor dificuldade. Posteriormente, a distância e o grau de complexidade da atividade são aumentados. Os cães de pastoreio começam a passar por treinamento intensivo com o rebanho a partir de um ano de idade e seguem em preparação por um período que pode variar de seis a oito meses, dependendo de cada animal.
“Estamos precisando de mais treinadores para incentivar o uso dos cães no trabalho rural. O Senar consegue ajudar realizando essa capacitação”, conclui Belebon.