Expointer 2026 encerra com vendas de R$ 6,18 bilhões e alta de quase 40%

A 49ª Expointer, realizada em Porto Alegre, encerrou neste domingo (6/9) com resultados surpreendentes para o agronegócio gaúcho. Apesar das dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor, a feira registrou R$ 6,18 bilhões em negócios, um aumento de 39,8% em relação ao ano anterior. O destaque ficou por conta do setor de máquinas e implementos agrícolas, que faturou R$ 5,46 bilhões, alta de 44,83% na mesma comparação.

As vendas cresceram em todos os segmentos. No setor de animais, a comercialização alcançou R$ 21,99 milhões, incremento de 21,02% ante 2025. No Pavilhão da Agricultura Familiar, os 509 estandes somaram R$ 14,4 milhões, alta de 5,57%. O setor automobilístico fechou com R$ 668,8 milhões, enquanto o artesanato contabilizou R$ 2,11 milhões.

Os resultados superaram as previsões mais cautelosas. O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do RS (Simers) esperava um empate com as vendas de 2025, em torno de R$ 4 bilhões. A cautela era motivada pela “tempestade perfeita” vivida pelo setor: aumento da inadimplência, recuperações judiciais, dificuldade de acesso ao crédito, juros altos e preços menores das commodities. Além disso, as incertezas climáticas devido ao El Niño e o adiamento de investimentos para depois das eleições também pesaram.

Apesar disso, Bier destacou dois sinais positivos: a valorização da carne, que impulsiona a venda de equipamentos para a pecuária, e a perspectiva de recuperação dos preços de grãos como soja, milho e arroz. “Os preços estão melhorando e esperamos que aumentem mais, ajudando na recuperação de vendas até o fim do ano”, afirmou.

A Massey Ferguson, que levou 11 lançamentos para a feira, especialmente para agricultura familiar, mantém otimismo. O vice-presidente para a América Latina, Rodrigo Junqueira, destacou que produtores profissionalizados continuam comprando. “Muitos agricultores adiaram a decisão de investimento por muito tempo e precisam renovar a frota”, comentou. Para contornar as dificuldades de crédito, a empresa oferece alternativas como consórcio, barter e parcerias com cooperativas. Kellen Bormann, diretora de vendas, explicou que no Rio Grande do Sul há três perfis de compradores: com crédito pré-aprovado por cooperativas, aptos a consórcio ou estruturados para usar o Agro Finance, linha em euro com juros abaixo de 10%.

A CNH, dona das marcas New Holland e Case IH, vê um ano desafiador, mas projeta retomada gradual. “Prevemos queda nas vendas de máquinas agrícolas em 2026. Para 2027, vemos um horizonte de possível retomada, com cautela”, afirmou Paulo Arabian, vice-presidente de Vendas para a América Latina. A empresa apostou no fortalecimento das soluções do Banco CNH, com oferta de consórcios e linhas do Plano Safra, como Pronaf Mais Alimentos, Moderfrota e Moderfrota Pronamp. Durante a Expointer, os produtores também contaram com seguros plurianuais em parceria com a Sompo, com 30% de desconto e parcelamento em até 10 vezes.

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