Projeto de captura de carbono pode render R$ 15 milhões adicionais à Usina São Manoel

A Usina São Manoel, localizada em São Manuel (SP), estima que a parceria com a Endura Carbon para captura e armazenamento de carbono pode gerar uma receita adicional de R$ 15 milhões por ano com a venda de créditos de carbono. A previsão foi apresentada por Rafael Bassetto, gerente de novos negócios da usina, durante o Carbonless Summit realizado em Ribeirão Preto (SP).

A empresa sucroalcooleira foi a primeira a firmar acordo com a Endura Carbon para implementar o projeto BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage), tecnologia que captura e armazena no subsolo o carbono biogênico emitido na produção de bioenergia. A usina processa 4 milhões de toneladas de cana por ano e emite cerca de 120 mil toneladas de carbono biogênico, cuja emissão é compensada pelo crescimento das culturas agrícolas.

O projeto da Endura Carbon prevê a criação de um “hub” capaz de receber carbono de várias usinas e injetá-lo no solo, armazenando permanentemente 1 milhão de toneladas de carbono por ano. Para viabilizar a operação, seria necessário agregar o carbono emitido por oito usinas do porte da São Manoel. A Endura Carbon aguarda autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para realizar testes de injeção em São Paulo, após o decreto 13.095/2026 que regulamentou a captura e armazenagem de carbono (CCS) no Brasil.

Bassetto explicou que, após um ano de pesquisa, concluiu que o modelo ideal para a usina seria uma parceria com a Endura Carbon, sem custos ou riscos para a São Manoel. A usina venderia as toneladas de gás carbônico geradas na fermentação do etanol para a empresa especializada, que faria a captura, transporte e injeção no solo. Ele descartou replicar o modelo da FS, que construiu uma planta própria de BECCS em Lucas do Rio Verde (MT).

O BECCS é uma das rotas tecnológicas de CCS regulamentadas no Brasil. Estima-se que cerca de 20% do potencial brasileiro de captura de carbono venha dessas operações, segundo Natalia Weber, diretora da Associação CCS Brasil. A tecnologia é usada há 30 anos, com 77 projetos comerciais em operação no mundo. A FS, pioneira no Brasil, iniciou seu projeto em 2020 e aguarda autorização para iniciar a injeção de carbono, com meta de enterrar 423 mil toneladas por ano.

Para o geólogo Everton de Oliveira, sócio-fundador da Hidroplan, o setor sucroenergético tem vantagens: o gás carbônico biogênico tem 95% de pureza, reduzindo custos de captação, e a concentração de 56% da produção de cana em São Paulo barateia o transporte. Além disso, a região produtora está sobre a bacia sedimentar do Paraná, propícia para armazenamento. “A CCS é segura, madura e deve ser a próxima grande revolução que o agro brasileiro vai liderar”, afirmou Oliveira.

A Petrobras também demonstrou interesse em projetos de BECCS, segundo Cláudio Ziglio, responsável por iniciativas de captura de carbono na empresa.

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