O primeiro-ministro da Holanda, Rob Jetten, afirmou que a Europa e a América Latina estão enfrentando uma “concorrência desleal” por parte da China e das regulações comerciais imprevisíveis dos Estados Unidos. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas brasileiros, durante a inauguração de uma planta de captura e armazenamento de carbono (CCS) da Yara em Sluiskil, no sul do país.
Jetten destacou que essa competição torna ainda mais urgente a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. “O acordo do Mercosul é extremamente importante para nós, para construir uma amizade com os países latino-americanos que impulsione o comércio em benefício de todas as pessoas”, defendeu. “Acho que o Brasil e a União Europeia juntos podem ser uma potência em produção de alimentos, não só para nossas populações, mas para exportar para o restante do mundo”, acrescentou.
O líder holandês também mencionou que as guerras na Ucrânia e no Irã expuseram a dependência europeia de insumos de outros países, reforçando a necessidade de fortalecer a indústria local. “A Holanda, a Noruega, junto com nossos amigos na América Latina podem ser uma potência. Podemos produzir fertilizantes e garantir que invistamos em um sistema de produção alimentar sustentável ao redor do mundo, sem dependência de regimes que não gostamos muito”, afirmou.
Jetten citou o investimento da Yara na planta de CCS como um exemplo de como conciliar ação climática e competitividade. “É um grande exemplo para os setores de emissões difíceis de abater sobre como investir em ação climática e garantir, ao mesmo tempo, que aumentemos nossa competitividade, criemos empregos e alimentemos o mundo de forma responsável”, disse. Durante a inauguração, ele reforçou que a indústria europeia “precisa sobreviver com os americanos e os chineses que estão tentando jogar o jogo com regras desleais”.
A declaração ocorre em um momento de tensões comerciais globais, com a União Europeia buscando diversificar parcerias e reduzir dependências estratégicas. O acordo UE-Mercosul, negociado há mais de duas décadas, é visto como um instrumento-chave para ampliar o comércio e a cooperação entre os blocos.