As intenções de compra de máquinas agrícolas na Expointer 2026 geraram números divergentes entre duas entidades do setor. Enquanto a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apontou uma queda de 25% em relação à edição anterior, o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers) registrou um crescimento de aproximadamente 45%.
O levantamento da Abimaq, divulgado em 8 de setembro, foi realizado com empresas associadas que aceitaram participar da coleta de informações. Segundo a entidade, o resultado reflete o momento difícil do mercado interno, que acumula recuo de 26% no faturamento de janeiro a julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
Já os dados oficiais do Simers, apresentados no encerramento da feira em 6 de setembro, indicaram intenções de compra de R$ 5,461 bilhões, ante R$ 3,751 bilhões em 2025. A entidade ressalta que os números representam intenções, e não negócios efetivados ou faturados.
Metodologias diferentes explicam diferenças
Em nota, a Abimaq afirmou que “eventuais diferenças” entre os levantamentos podem estar relacionadas ao universo de empresas analisado, à abrangência dos mercados considerados e à metodologia utilizada. “Não temos informações suficientes para identificar a razão específica da diferença entre os dados apresentados, evitando uma comparação direta sem essa contextualização”, diz o texto.
Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, destacou a disparidade de escalas. “Um montante de R$ 5 bilhões em vendas é mais do que o faturamento de um mês do setor inteiro em todo o Brasil. Em julho, as empresas do setor faturaram R$ 4,7 bilhões. Não tem como uma feira regional faturar igual a todo o país”, afirmou.
“O mercado atual está muito ruim. Não havia dúvidas de que as vendas na Expointer seriam ruins também. Tanto que o número de expositores caiu, menos empresas foram na feira.” — Pedro Estevão Bastos, Abimaq
De fato, o Simers informou que 135 empresas de máquinas e implementos agrícolas participaram da Expointer neste ano, 18% a menos que em 2025.
Simers defende metodologia abrangente
Ana Paula Werlang, diretora executiva do Simers, explicou que o levantamento do sindicato reúne informações dos principais agentes financeiros presentes na feira. “Permite ao Simers ter uma visão mais ampla das intenções de compra. São dados que ajudam a compreender o comportamento do produtor e o movimento do mercado, sempre considerando que estamos falando de intenções de compra, e não necessariamente de negócios já efetivados.”
Para Claudio Bier, presidente do Simers, o resultado positivo surpreende em um cenário ainda desafiador. “Encerramos a Expointer 2026 com um resultado que surpreende positivamente: as intenções de compra de máquinas agrícolas cresceram 45% em relação à edição de 2025. É uma reação importante do mercado, mas precisamos olhar esse número dentro de um cenário que ainda está longe do ideal. Os juros permanecem elevados, muitos produtores seguem enfrentando dificuldades para renegociar suas dívidas e o crédito continua sendo um fator de cautela para novos investimentos.”
Bier destacou que a melhora nos preços das commodities e o fato de muitos produtores manterem soja armazenada ajudaram a recompor parte da capacidade de investimento. A Expointer 2026 foi a primeira grande feira após o anúncio do Plano Safra 2026/27, o que colocou as condições de crédito no centro das decisões de compra.
“O que vimos na feira foi um produtor criterioso, que analisa muito bem antes de assumir um novo compromisso, mas que também demonstra confiança quando identifica uma oportunidade de aumentar sua eficiência e produtividade. A tecnologia continua despertando interesse, especialmente quando está associada a ganhos concretos no campo. O desafio é transformar esse interesse em investimento, e isso depende diretamente de condições adequadas de crédito e financiamento.” — Claudio Bier, Simers
O presidente do Simers ressalta que o resultado da Expointer não representa, isoladamente, uma recuperação completa do setor, que vinha de um período de forte pressão sobre as vendas e sobre a capacidade de investimento dos produtores.