O mercado de café na bolsa de Nova York registrou queda nesta quinta-feira (10/9), impulsionado pelo aumento das estimativas de safra no Brasil. Os contratos futuros do arábica para dezembro recuaram 1,34%, fechando a US$ 2,8815 por libra-peso. A desvalorização reflete a percepção de uma oferta mais robusta após o fim da colheita nacional.
A consultoria NRP Agro elevou sua projeção para a safra de café arábica no Brasil no ciclo 2026/27, passando de 44,2 milhões para 45,4 milhões de sacas. O número representa uma recuperação significativa em relação à temporada anterior, quando foram colhidas 37,5 milhões de sacas. Segundo Vicente Zotti, diretor da NRP Agro, a revisão para cima se deve a uma surpresa positiva na produtividade de importantes regiões cafeeiras, como a Alta Mogiana e o Cerrado Mineiro.
“A queda em Nova York é parte desse sentimento de concretização de uma oferta grande. Com isso, especuladores desmontam posições compradas e outros entram com vendas, dando liquidez ao mercado”, explicou Zotti.
Suco de laranja também recua
O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) também se desvalorizou, com os contratos para novembro caindo 1,78%, para US$ 1,4375 por libra-peso. O movimento ocorreu após o Fundecitrus divulgar nova estimativa para a safra brasileira de laranja em 2026/27: 263,15 milhões de caixas de 40,8 kg, um aumento de 3,1% em relação à previsão inicial de maio.
Açúcar firme com petróleo em alta
Diferentemente do café e do suco de laranja, o açúcar manteve-se firme na bolsa americana. Os contratos com vencimento em março de 2027, os mais negociados, subiram 1,86%, para 19,75 centavos de dólar por libra-peso. Além da expectativa de déficit na produção global em 2026/27, o açúcar foi puxado pela valorização do petróleo, que subiu 6% e voltou a ser negociado acima dos US$ 100 por barril. Esse cenário tende a desestimular as usinas a produzir açúcar, dando prioridade ao etanol.
Algodão e cacau em alta
O algodão fechou em alta de 1,08% na bolsa de Nova York, com os lotes para dezembro cotados a 88,22 centavos de dólar por libra-peso. Já o cacau registrou leve valorização, com os contratos para dezembro avançando 0,18%, para US$ 5.962 por tonelada.