Soja sobe em Chicago com alta do petróleo e expectativa de corte na safra dos EUA

Em dia de alta generalizada no mercado de grãos, a soja foi o grande destaque na bolsa de Chicago. Os contratos com entrega para novembro avançaram 1,74%, para US$ 13,3225 o bushel, impulsionados pela valorização do petróleo e pela expectativa de cortes nas estimativas de produção dos Estados Unidos.

Petróleo impulsiona biodiesel e demanda por soja

O principal vetor de alta, segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal, foi o petróleo, que subiu 6% e voltou a se consolidar acima de US$ 100 o barril, em meio à continuidade das tensões militares no Oriente Médio. O petróleo mais caro favorece a demanda por biodiesel nos Estados Unidos, feito principalmente de derivados da soja.

Mercado aguarda relatório do USDA

O mercado também se posiciona para o relatório mensal de oferta e demanda de grãos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que será divulgado nesta sexta-feira (11). Analistas esperam um corte na projeção da safra americana, de 123 milhões para 122,5 milhões de toneladas. Segundo Fernandes, a qualidade das lavouras está abaixo de 60%, o que pode levar o USDA a reduzir ainda mais o número. “O USDA pode cortar mais, porque a qualidade das lavouras americanas está abaixo de 60%, então o mercado está colocando um pouco de preço nesses dados”, destacou.

China compra soja americana

Outro fator de suporte foi a notícia, divulgada pela Reuters, de que a China comprou cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos nesta semana. No entanto, Fernandes avalia que a demanda chinesa por soja americana ainda não está precificada, uma vez que o mercado aguarda novidades sobre um novo encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para o fim do mês.

Milho fecha em alta

O milho também subiu em Chicago, com os contratos para dezembro avançando 1,14%, para US$ 5,3375 o bushel. O mercado espera que o USDA indique queda na colheita dos EUA em 2026/27, com produção reduzida para 400 milhões de toneladas, 6 milhões a menos que na estimativa anterior. Fernandes lembra que o preço ainda está distante da máxima de US$ 8 registrada há quatro anos, mas há espaço para novas correções para cima, considerando o aumento das exportações americanas, os problemas de exportação da Ucrânia e a quebra de safra na Europa neste ano.

Trigo se recupera

O trigo recuperou parte das perdas do dia anterior e fechou em alta de 1,72%, a US$ 7,4125 o bushel nos contratos para dezembro. A queda recente veio na esteira das negociações para o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia, que pretendem destravar as exportações no Mar Negro. Até o momento, porém, não há acordo confirmado entre os países.

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