Tornados consecutivos devastam lavouras e propriedades rurais no Paraná

Dois tornados atingiram o estado do Paraná em um intervalo de apenas 24 horas, entre quarta-feira (9/9) e quinta-feira (10/9), causando destruição em lavouras, danos a estruturas rurais e afetando centenas de pessoas. O levantamento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e da Defesa Civil aponta que dez municípios foram impactados: Francisco Alves, Espigão Alto do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, Almirante Tamandaré, Chopinzinho, Manfrinópolis, Pranchita, Rebouças, Santa Izabel do Oeste e Três Barras do Paraná. Ao todo, 266 pessoas foram afetadas e 15 casas ficaram danificadas.

Em Espigão Alto do Iguaçu, o tornado da madrugada de quinta-feira deixou 200 pessoas com prejuízos. A coordenadora da Defesa Civil do município, Eliane Kwiatkowski, informou que as equipes locais ainda trabalham no levantamento de danos. “Tivemos muitos estragos, estamos realizando os levantamentos a fim de buscar recursos para os reparos e a reconstrução”, afirmou em entrevista à Globo Rural. Segundo a prefeitura, não houve registro de feridos.

Pelo menos 50 casas foram destelhadas na região. Escolas rurais, unidades de saúde e centros comunitários dos distritos também foram atingidos. Conforme Eliane, somente nos prédios públicos os prejuízos preliminares chegam a R$ 400 mil. Galpões de maquinários agrícolas e insumos, estruturas de confinamento de gado leiteiro — com a confirmação da morte de um animal —, barracões e estufas também foram danificados.

O agricultor Márcio Furman, que cultiva soja e milho, sofreu perdas significativas. Dos três barracões com maquinários, dois foram destruídos. Duas casas da família, localizadas na área, foram destelhadas e, ainda na quinta-feira, receberam lonas da Defesa Civil. Uma das casas foi atingida pela queda de uma árvore. “Ainda bem que foram apenas prejuízos materiais”, destacou. Furman calcula perdas financeiras superiores a R$ 100 mil.

O produtor de leite Meysson Vetorello relatou que o episódio foi muito rápido, por volta da meia-noite, e causou grande susto na família. “Nunca tinha ocorrido na região algo dessa magnitude, ninguém tem o psicológico preparado. Foi um vento muito forte, com chuva”, explicou. Em sua propriedade, além de muitas árvores derrubadas, o tornado levou a cobertura de zinco e parte do pé direito da fábrica de ração. “Por sorte, não pegou na leiteria”, ressaltou. O prejuízo inicial deve ultrapassar R$ 100 mil. A casa de um funcionário, próxima à fazenda, também foi danificada.

Nas margens da PR-473, no distrito de Boa Vista de São Roque, foi possível observar a destruição de parte de uma plantação de eucaliptos pela força dos ventos. Vanderlei Rohden, técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) em Espigão Alto do Iguaçu, visitou a área rural para levantar as primeiras informações dos estragos. “Além do distrito de Boa Vista de São Roque, outras comunidades foram atingidas. O evento teve bastante impacto e agora é dar início aos trabalhos de reparos”, avaliou.

O agrônomo Bernardo Lipski, do Simepar, reforça a importância de o produtor rural acompanhar diariamente os alertas meteorológicos para minimizar danos. Ventos fortes e tornados ameaçam lavouras, estufas, galpões, silos, redes elétricas e equipamentos. O granizo pode destruir a lavoura em minutos, enquanto chuvas intensas provocam alagamentos, enxurradas e erosão. Os raios representam risco direto para pessoas e animais. Diante de previsão ou alerta de tempestade severa, a recomendação é evitar áreas abertas, árvores isoladas e estruturas metálicas; suspender aplicação de defensivos e operação de máquinas; verificar telhados e estufas com antecedência; e manter máquinas, equipamentos e animais em locais protegidos. “O produtor deve considerar os alertas de tempestade severa como um sinal de risco”, pontua Lipski.

O Sistema Faep destaca a necessidade de políticas agrícolas e medidas de prevenção para mitigar os riscos. “O El Niño intenso, com tempestades, vendavais e chuvas, significa mais risco para os nossos produtores rurais. Vamos seguir cobrando o poder público quanto a uma política de seguro rural acessível, além de medidas e estratégias de prevenção. Ninguém no campo e na cidade pode ficar desprotegido diante de fenômenos da magnitude que estamos vivendo”, afirmou o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

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