USDA Surpreende e Aumenta Projeção para Safra de Soja nos EUA, Contrariando Expectativas do Mercado

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta sexta-feira (11/9) suas estimativas atualizadas para a safra mundial de soja 2026/27, surpreendendo o mercado ao elevar a previsão para a colheita americana. O relatório mensal de oferta e demanda, amplamente acompanhado por produtores e investidores, trouxe números que ficaram acima das expectativas dos analistas, impactando os preços na bolsa de Chicago.

Soja: produção americana acima do esperado

O USDA projetou a safra de soja dos EUA em 123,42 milhões de toneladas, um aumento de 0,3% em relação à estimativa de agosto. Analistas esperavam uma redução para 122,5 milhões de toneladas. O incremento reflete ganhos de produtividade e uma leve expansão da área colhida. Com isso, as exportações americanas de soja foram revisadas para cima em 1,5%, totalizando 45,86 milhões de toneladas. Os estoques finais nos EUA, por sua vez, caíram 3,2%, para 8,43 milhões de toneladas — abaixo das projeções do mercado, que esperavam 7,92 milhões.

A oferta maior pressionou os preços, que recuaram 1,8% em Chicago. No cenário global, a produção mundial de soja foi mantida em 442,35 milhões de toneladas, com leve ajuste nos estoques finais, de 124,21 milhões para 124,02 milhões de toneladas.

Brasil e Argentina estáveis

Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, o USDA não fez alterações. A safra brasileira foi mantida em 186 milhões de toneladas, com embarques previstos em 118 milhões de toneladas. Na Argentina, a colheita permanece estimada em 50 milhões de toneladas, também estável em relação a agosto. As importações chinesas de soja, principal mercado comprador, continuam projetadas em 115 milhões de toneladas para a safra 2026/27.

Milho: produção global recua

No mercado de milho, o USDA reduziu a estimativa de produção mundial para 1,290 bilhão de toneladas, uma queda de 0,61% ante agosto. Os estoques finais globais também foram ajustados para baixo, em 0,93%, para 272,1 milhões de toneladas. As exportações mundiais permaneceram em 210 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a produção de milho foi projetada em 401 milhões de toneladas, 1,33% abaixo da estimativa anterior. As exportações americanas ficaram estáveis em 83,1 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais caíram 5,22%, para 39,7 milhões de toneladas. O consumo interno de milho nos EUA também foi reduzido em 2,46%, para 151,1 milhões de toneladas.

Para o Brasil, a produção de milho foi mantida em 139 milhões de toneladas, mas as exportações foram ajustadas para 43 milhões de toneladas, uma redução de 2,27%. A Argentina manteve sua produção em 55 milhões de toneladas e exportações em 38 milhões. A China, por sua vez, continua com produção estimada em 307 milhões de toneladas e importações de 5 milhões de toneladas.

Trigo: oferta global maior, Brasil em queda

O relatório do USDA para o trigo indica um cenário de estoques elevados, com produção mundial estimada em 822,43 milhões de toneladas, alta de 0,38% ante agosto, impulsionada por revisões positivas para Argentina, Austrália e Ucrânia. No entanto, o Brasil teve sua safra reduzida em 1,6%, para 6 milhões de toneladas, e as exportações brasileiras de trigo foram zeradas — no relatório anterior, eram projetadas em 1,9 milhão de toneladas.

Na Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil, a produção deve crescer 2,38%, para 21,5 milhões de toneladas, com exportações revisadas para 15,5 milhões de toneladas (alta de 3,3%). Nos EUA, a produção permaneceu estável em 41,66 milhões de toneladas. Já as exportações da Rússia e da Ucrânia foram reduzidas em 6,5% e 7,4%, respectivamente, devido a problemas logísticos relacionados à guerra no Mar Negro. Com isso, os estoques finais globais de trigo subiram 3 milhões de toneladas, para 276,3 milhões.

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